Um levantamento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra o que qualquer itabirano percebe andando pelas ruas da Itabira: a construção civil está em alta. A expressão não trata de um trocadilho que remeta ao tamanho dos prédios erguidos, mas ao aquecimento do mercado. Até porque nem só da construção de edifícios se fortalece a economia nesse segmento, cada vez mais movimentador de dinheiro no município. O projeto Conceição Itabiritos, da Vale, e a execução de serviços nas MGs 129 e 434 pelo Governo do Estado, dentro do programa Proacesso, são exemplos de outros empreendimentos que também alavancam os números positivos.
A Sondagem Indústria da Construção mostra que esse setor da economia está em recuperação após um período conturbado no início do ano passado. Em 2011, a atividade voltou a ter índices satisfatórios por dois meses seguidos, o que só havia acontecido no fim de 2010. Maio e junho apresentaram indicadores positivos. E a expectativa é de que o cenário continue bom até o fim do ano.
A avaliação da CNI é composta por um índice que varia de 0 a 100 e baseia-se em respostas dos próprios empresários do setor. São vários pontos analisados, que variam desde contentamento no período passado até expectativa para os próximos meses. Indicador acima dos 50 pontos significa evolução. Abaixo disso, é desaquecimento. Por tanto, se o índice de um mês for menor que o anterior, mas também for superior a 50, ainda é considerado resultado satisfatório.
Foi o que ocorreu nos dois últimos meses do primeiro semestre. Em maio, o índice alcançado em satisfação com a atividade foi de 53,1, e em junho, foi de 52,4. Apesar de no segundo mês o resultado ter sido pior, ainda assim é considerado satisfatório como tendência de crescimento, porque a avaliação está acima de 50 pontos.
Também chamam atenção os índices positivos de situação financeira. No segundo semestre, a satisfação chegou a 53,4 pontos. A contratação de funcionários também teve número ascendente, fechando em 50,2. O indicador de expectativa mostra ainda que os empresários da construção civil estão esperançosos. A confiança no futuro da atividade atingiu 63 pontos em junho, sendo atribuído 61,8 para a abertura de novos postos de trabalho.
Em Itabira, o que se percebe é que os números nacionais são perfeitamente aplicáveis. A arrecadação do município com a atividade da construção civil cresce na mesma medida em que os prédios são erguidos e outras obras executadas pela cidade. De acordo com o secretário municipal de Fazenda, Marcos Alvarenga, o Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN) de Itabira atingiu em julho o maior valor dos últimos 12 meses. A Prefeitura arrecadou pouco mais de R$2,47 milhões. No mesmo período do ano passado o valor foi de R$1,26 milhão.
Quem também analisa o crescimento do setor da construção civil no município é o presidente da Associação Comercial e Industrial de Itabira (Acita), José Antônio Reis Lopes. Segundo ele, há três pilares que sustentam a ascensão desse ramo: o déficit habitacional acumulado, os programas facilitadores de créditos e o fortalecimento da economia brasileira. “Se não houver crise nas principais economias do mundo, não há como pensarmos em desaquecimento da construção civil”, analisa Jose Antônio.
Empresário do setor da construção civil, o diretor executivo da MD Predial, Emerson Alvarenga Barbosa (Gui), diz não ter dúvida de que a construção civil passa pelo seu melhor momento em Itabira. Segundo ele, a quantidade de serviço de sua firma tem crescido de 200 a 300% ao ano, impulsionado, principalmente, pelo projeto Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal. Até o fim do ano, a construtora deve entregar cerca de 2 mil apartamentos.
Outros empreendimentos habitacionais têm surgido na cidade, tanto por parte de construtoras em parceria com imobiliárias, quanto por grupos de sócios que se reúnem para construir prédios e aproveitar o bom momento. São moradias populares, de médio porte e também de luxo.
Também movimenta o setor a construção do Complexo Conceição Itabiritos, da mineradora Vale. O empreendimento tem como objetivo o beneficiamento dos itabiritos de menor teor de ferro e terá um investimento total de 2,4 bilhões. Até o mês de maio, quando começou a segunda etapa do projeto, já haviam sido contratados cerca de R$42 milhões em produtos e serviços de Itabira, a maior parte em construção civil. Aproximadamente 2,8 mil trabalhadores já tinham sido contratados especificamente para a obra, sendo 70% deles de Itabira e região.
No asfalto, a construção civil também segue de vento em polpa. Nas MGs 129 e 434 a obra completa está orçada em torno de R$ 53 milhões, e inclui restaurações e melhorias em 52,5 quilômetros entre o entroncamento da BR-381 e Itabira (nas duas rodovias) e o Contorno Norte de Itabira (MG-129). O empreendimento é considerado a segunda maior obra viária executada pelo Governo do Estado nos últimos três anos.
O bom momento da Construção Civil alavanca o crescimento também em outros ramos ligados direta ou indiretamente à atividade. Houve reflexos na geração de empregos e, naturalmente, na venda de imóveis. O momento, de novo, parece ser de apostar e investir.