Réus trocam acusações e promotor mantém que os dois agiram juntos

Acusados prestam depoimento

Réus trocam acusações e promotor mantém que os dois agiram juntos

O julgamento dos acusados de matar Luisa Aparecida Coelho Silva, irmã do prefeito de Itabira, João Izael Querino Coelho, continua no Fórum Desembargador Drummond. No início da tarde, Daniela Carla Coelho Silva, filha da vítima, e o namorado, Adriano Batista Macedo, foram ouvidos pelo juiz Pedro Câmara. Os dois trocaram acusações.

Daniela confirmou que o então namorado participou do crime. Segundo ela, foi Adriano que estrangulou a mãe, cabendo a ela atear fogo na vítima. A ré ainda disse ainda que o homem a ameaçou de morte caso não assumisse o crime sozinha.

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Adriano negou a versão. Ele falou que só soube do crime quando já estava preso na Delegacia de Itabira (ele foi preso no mesmo dia do crime por porte de arma) e argumentou que há testemunhas que comprovam uma conversa que teve com Daniela na sede da Polícia Civil, quando ela teria dito que iria embora da cidade porque havia cometido um erro muito grave.

Segundo o acusado, estava em uma loja de materiais domésticos comprando cano para consertar uma pia no momento do crime. Adriano alegou que a sogra estava viva quando ele saiu de casa para ir até o comércio e negou que já tenha sido traficante – o que ele mesmo admitiu quando prestou depoimento durante as investigações.

Promotor não acredita

O promotor que participa do júri popular, César Augusto, disse não acreditar que Adriano não participou do crime. Para ele, o réu entra em várias contradições, mudando várias vezes suas versões para o fato. Ele também criticou a fala de Daniela, ao afirmar que não há desculpas para matar alguém, mesmo diante de ameaças.

César Augusto leu um relatório de terapeutas ocupacionais que analisaram a filha do casal, que na época do crime tinha quatro anos. Segundo o promotor, o crime foi cometido na frente da criança, o que teria provocado sérias conseqüências à menina. De acordo com o documento, a menina, dias após a morte da avó, apresentava retardo nas falas e, várias vezes, dizia frases com a palavra fogo.

O promotor criticou os depoimentos dos acusados. “Eles tentam jogar a responsabilidade um para o outro, mas as evidências mostram que estavam juntos no momento do crime”, afirmou o representante do Ministério Público.      

Deve demorar

O julgamento deve demorar e a previsão é de que termine já no meio da noite. O promotor começou a falar por volta das 17h e tem uma hora e meia para suas explanações. Depois, cada um dos advogados de defesa tem uma hora. Aí, o Ministério Público tem mais uma hora para as tréplicas. Só depois disso, os jurados se reúnem para a decisão a respeito da sentença.