Pagamento de royalties em Minas bate recorde, mas prefeitos reclamam
A forte alta combinada da produção e dos preços das chamadas commodities minerais no mercado internacional levou a receita dos royalties pagos pelas mineradoras em Minas Gerais ao recorde de R$ 280,161 milhões entre janeiro e maio, maior cifra nominal (sem descontar a inflação) registrada na série histórica dos dados disponíveis desde 2004 no sistema […]
A exploração mineral em outros 121 municípios de Minas rendeu, da mesma forma, um modesto retorno financeiro, entre R$ 1 mil e R$ 10 mil, representando uma parcela de 34% dos cofres municipais que tiveram direito à Contribuição Financeira pela Exploração Mineral (Cfem). Parte dessas cidades abriga pequenas lavras, mas essa característica não serve de justificativa para as prefeituras. Insatisfeitas com a arrecadação, as associações mineira e brasileira dos municípios mineradores – a Amig, de Minas, e a Amib, do Brasil – pediram na semana passada ao DNPM uma nova ação fiscal concentrada nas contas da indústria da mineração. A fiscalização ineficiente do recolhimento da Cfem é uma das explicações, na visão dos prefeitos, para os baixos valores arrecadados.
Os prefeitos querem o mesmo esforço dos fiscais do DNPM feito em 2007 e que resultou na apuração de uma dívida bilionária, estimada em R$ 2,6 bilhões, da Vale S/A, sua coligada Samarco Mineração e da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) referente ao recolhimento a menos da Cfem. O débito está sendo discutido na Justiça. Agora, além da fiscalização sobre o recolhimento dos royalties do minério de ferro, os prefeitos dos municípios mineradores pressionam por uma ação fiscal mais ampla, incluindo substâncias como os minerais usados na construção civil, a exemplo de calcário, areia e brita, além de rochas ornamentais (ardósia e granito), em que há suspeitas de sonegação decorrente da informalidade que costuma caracterizar a extração desses bens minerais, seja em função do grande número de empresas, seja por conta das pequenas lavras espalhadas pelos municípios, observa o presidente da Amig, Antônio Eduardo Martins, prefeito de Santa Bárbara, na Região Central do estado.
“Já se passaram quatro anos desde a última ação fiscal concentrada do DNPM e há municípios que nem sequer foram alvo de alguma fiscalização. Não podemos aceitar uma atividade que envolve um patrimônio público e não seja fiscalizada”, afirma o presidente da Amig. Junto aos prefeitos de Minas, assinam o documento que pede a ação fiscal do DNPM representantes das cidades mineradoras do Pará e da Bahia. As prefeituras já ofereceram o mesmo apoio dado aos fiscais quatro anos atrás, bancando transporte e material e instalações para os fiscais trabalharem, por meio de convênio com as prefeituras, informa Anderson Costa Cabido, prefeito de Congonhas, também na Região Central de Minas.
Os primos pobres da mineração – aquelas cidades contempladas com valores muito baixos de arrecadação – não são o único motivo da nova campanha dos municípios. As maiores cidades mineradoras, um grupo que reúne Itabira, Nova Lima, Mariana, São Gonçalo do Rio Abaixo, Itabirito, Brumadinho e Congonhas, suspeitam de recolhimento a menos dos royalties. Juntos, esses sete municípios receberam R$ 134,5 milhões de janeiro a maio, cerca de 75% da quantia que coube às prefeituras, de R$ 182,1 milhões. De acordo com a legislação, da arrecadação total da Cfem, os municípios mineradores ficam com 65%, os estados embolsam 23% e a União, 12%.
“Queremos levar o maior número de fiscais às empresas. Desde a operação conjunta de 2007, só houve ações pontuais do DNPM”, diz o prefeito Anderson Cabido. Em Ouro Preto, o prefeito Ângelo Oswaldo sustenta que as cifras repassadas aos municípios mineradores, em muitos casos, não voltaram aos patamares anteriores à crise financeira mundial de 2008 nem acompanham o forte aumento da produção e dos preços dos bens minerais. A cidade histórica está recebendo R$ 1,3 milhão por mês em royalties, quando embolsava perto de R$ 2 milhões mensais três anos atrás. “É absurdo pedir ao DNPM que a instituição exerça uma tarefa que faz parte das suas obrigações. Se preciso, vamos procurar a presidente Dilma Rousseff”, afirma.