Dono do Centro Ótico de Itabira estuda sair da rede por causa de repercussão negativa

Geraldo Rodrigues Andrade (Centro Ótico Itabira) afirma que não tem nada a ver com a rede de Belo Horizonte

Dono do Centro Ótico de Itabira estuda sair da rede por causa de repercussão negativa
O proprietário da loja Centro Ótico de Itabira, Geraldo Rodrigues Andrade, diz que estuda junto ao seu departamento jurídico as maneiras de romper o contrato que tem com a rede de Belo Horizonte. O motivo é a repercussão negativa causada pela Operação Ilusão de Ótica, deflagrada pela Polícia Civil do Paraná na capital mineira na sexta-feira da semana passada, 18 de março. Na ação da PC, foram presas cinco pessoas em Minas Gerais e mais 11 em São Paulo e Santa Catarina, todos por suspeita de envolvimento em um esquema de contrabando de óculos.
 
O empresário itabirano diz que sua loja é uma franquia da rede Centro Ótico e que os produtos que vende aqui na cidade nada têm a ver com os que foram apreendidos em Belo Horizonte. De acordo com a investigação da PC do Paraná, a ótica comprava óculos na China por R$0,41 e revendia aos consumidores por até R$1 mil, como sendo produtos de marca. “Aqui em Itabira nós compramos direto das marcas, principalmente em São Paulo”, defende-se Geraldo Rodrigues.
 
Segundo Geraldo, a sua loja apenas usa o nome da rede e paga royalties pelo uso da marca. Ele explica que seu empreendimento possui razão social totalmente diferente da rede de Belo Horizonte. “Estou há 15 anos estabelecido na cidade e não possuo envolvimento algum com o que é investigado pela polícia”, afirma. Da mesma maneira, de acordo com o empresário, existem franquias em Sete Lagoas e Divinópolis.
 
Geraldo conta que já solicitou junto ao jurídico de sua rede um estudo para se desvincular da rede. Ele disse que estava aguardando a repercussão do fato para tomar providências. Como as pessoas têm ligado muito os nomes das lojas, a dissociação parece ser inevitável por parte do empresário itabirano. O proprietário tem uma marca própria e esse nome deve ser o nome da loja assim que houver a desvinculação à Centro Ótica.
 
Ilusão de Ótica
 
A Operação Ilusão de Ótica foi deflagrada na sexta-feira da semana passada, 18 de março, em Belo Horizonte, Paraná, São Paulo e Santa Catarina. Durante cinco meses de investigações, a Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas levantou evidências de que redes de óticas de Curitiba e Belo Horizonte (MG) receptavam mercadorias de origem chinesa, que entravam no Brasil pelo Paraguai. Com um custo de apenas R$ 0,41, as lentes e óculos pirateados chegam às mãos dos consumidores de Minas e do Paraná a preços bem mais salgados. Algumas chegam a custar até R$ 1 mil. Conforme a polícia, as empresas adulteravam notas fiscais para legalizar os produtos e sonegar imposto de renda.
 
Entre os detidos estão Adriana Sales Dias Horta e Francisco Dias Horta Neto, filhos do empresário Francisco Sales Dias Horta, dono do Centro Ótico. O proprietário estaria na China e estuda se entregar à Polícia. Ele é ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Belo Horizonte.
 
Os envolvidos serão indiciados por receptação de carga de origem ilícita, formação de quadrilha, falsificação de documentos públicos e particulares, lavagem de dinheiro, estelionato, sonegação fiscal, ameaça, corrupção, adulteração e comercialização de produtos nocivos à saúde, comunicação falsa de crime, apropriação indébita e fraude previdenciária.