Carne de boi será artigo de luxo na mesa do brasileiro, avisa produtor
Os preços da carne bovina vão continuar subindo no varejo, avisam os produtores. Eles informam que suas tabelas manterão a trajetória de alta recorde de 2010, em razão da forte demanda mundial e do crescente aumento dos custos de produção. Em reforço a essa tendência, a pecuária nacional está mudando o perfil produtivo para atender […]
O diretor da CNA explica que os pecuaristas do país estão buscando melhorar as margens de faturamento tendo por base a demanda de mercados melhor remunerados, sobretudo a União Europeia (UE). Por outro lado, a contínua elevação da renda vem levando o próprio consumidor nacional a optar por cortes nobres de carne bovina e a experimentar outras proteínas animais, especialmente aves. "A elevação dos preços é, portanto, uma realidade de mercado, que escapa ao nosso controle, assim como a taxa de câmbio e as cotações de commodities agrícolas", assinala Silva. O diretor sustenta, contudo, que a maior parcela dos lucros com o encarecimento da carne vermelha fica com o varejo. Além disso, os ganhos dos exportadores no ano passado foram limitados pelo real forte.
As famílias que tradicionalmente têm a carne vermelha como a principal em suas dietas devem enfrentar problemas em breve. Segundo Antenor de Amorim Nogueira, presidente do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte, coordenado pela CNA, a transição entre modelos produtivos vai implicar em mais investimentos e obediência de regras rígidas de importadores. Ele insiste também que a disparada de preços de insumos, como soja e minerais para a alimentação do gado, que subiu até 100% nos últimos 12 meses, teve especial impacto nos preços da carne in natura.
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Líder mundial em produção e exportação, o setor de carnes do Brasil também quer melhorar a sua imagem ainda afetada por questões sanitárias de 2006. Nesse sentido, a CNA anunciou a realização de megaevento internacional no Mato Grosso do Sul em junho, dentro de uma investida de marketing de empresários, entidades e governos para recuperar a imagem do setor de carnes, ainda desgastada pela ocorrência de febre aftosa (2006). Segundo Antenor Nogueira, da CNA, os produtores de carne vêm seguindo nos últimos anos a estratégia de consolidar padrões elevados de qualidade e sustentabilidade como marcas do Brasil, rumando para uma produção mais contida, cada vez mais baseada em currais (intensiva) e menos em pastos (extensiva).
A CNA informa que o confinamento no país deve subir ao longo deste ano de 2 milhões para 3 milhões de bovinos. O número ainda é pequeno para o tamanho do rebanho brasileiro, o maior do mundo com 200 milhões de cabeças. Antenor Nogueira descarta pressão maior sobre os preços domésticos em razão da demanda externa, que representa só 18% da produção brasileira. “Podemos facilmente produzir mais para exportar à Europa, tão logo aumentem as quotas para o Mercosul. Saltaríamos com rapidez de 44 mil toneladas para 210 mil exportadas”, sustenta. (Com Paula Takahashi)