Sócio, irmã e mulher de Madoff mineiro devem se entregar nesta segunda

A defesa do ex-investidor Thales Maioline tenta retirar a pecha de maior golpista do país que pesa sobre o acusado sustentando que ele tentou salvar a empresa e evitar o calote até o último momento, mas vê o cerco da polícia e da Justiça se fechar. O desembargador Antônio Armando dos Anjos negou pedido de […]

A defesa do ex-investidor Thales Maioline tenta retirar a pecha de maior golpista do país que pesa sobre o acusado sustentando que ele tentou salvar a empresa e evitar o calote até o último momento, mas vê o cerco da polícia e da Justiça se fechar. O desembargador Antônio Armando dos Anjos negou pedido de habeas corpus solicitado na noite do último sábado pelos advogados do Madoff mineiro. O desembargador indeferiu a liminar e informou que pedirá informações ao juiz que tratou da questão inicialmente. Enquanto isso, Thales permanece preso.

Já os três foragidos ligados diretamente a ele, com mandado de prisão decretado desde sexta-feira, se apresentam nesta segunda-feira à tarde para a polícia, conforme garante o advogado de defesa Marco Antônio de Andrade. São eles: o ex-sócio e amigo Oséas Marques Ventura, a mulher, Maria Aparecida Oliveira Santos Maioline, e a irmã de Thales, Ianny Márcia Maioline. Além deles, está preso desde sexta-feira Nelson Lázaro Diniz, acusado de vender duas picapes Toyota Hilux bloqueadas pela Justiça. A polícia procura ainda por Rodrigo Simplício da Silva, estagiário de direito na Firv, empresa do Madoff mineiro.
 

 
A versão que será defendida pelos advogados é que ao contrário de Bernard Madoff, ex-investidor que aplicou um golpe bilionário em Wall Street, o mineiro não tinha intenção de dar um golpe de pirâmide financeira de R$ 86,1 milhões em 2 mil investidores da Firv em 14 cidades mineiras. Os advogados querem comprovar, com apresentação de provas, que na verdade Thales teve dificuldades de honrar com o pagamento de bônus fixos de 5% ao mês pela empresa e acabou falindo.

Antes de ficar foragido 140 dias na Bolívia, Maioline declarou à Polícia Civil ter tentado salvar a empresa com um projeto de recuperação, que envolvia aplicar dinheiro em megaempreendimentos, inclusive em reflorestamento na região da Floresta Amazônica, avaliado em R$ 90 milhões, cujo lucro real daria suporte e lastro aos investimentos virtuais em aplicações financeiras na bolsa de valores.

 
Thales planejava comprar uma área de 450 mil hectares, no Pará, em região de Floresta Amazônica, quase do tamanho do estado do Paraná. Ele sonhava investir R$ 4 milhões do próprio bolso no negócio, que seria adquirido de um empresário falido, e conseguiria outros R$ 4 milhões em financiamento junto ao BDMG. Não chegou, porém, a concretizar o empreendimento antes de estourar o escândalo. Outro negócio que poderia representar uma saída para o pagamento do calote, seria a aquisição de uma granja de grande porte, em Minas Gerais. O empreendimento conteria 50 galpões, que renderiam R$ 25 mil a cada 45 dias. A Justiça interditou uma granja de Thales, em Baldim, na Região Central do Estado, com capacidade de abate de 50 mil frangos por ano.
 
Especulação
Além de frangos e reflorestamento, o Madoff mineiro também pretendia lucrar com a especulação imobiliária na Praia do Morro, em Guarapari, no Espírito Santo. Ele teria dado como entrada parte dos títulos de investimentos da Firv (que se tornaram títulos podres com o fim da empresa), tendo parcelado o restante do pagamento em cem vezes. Chegou também a estudar a compra de uma casa de shows na região da Pampulha, avaliada em R$ 15 milhões, e a aquisição da exploração dos direitos de uma marca de luta livre.

Com atuação desde 2006, Maioline soube no início do ano que a empresa poderia falir. A tentativa de aplicar em investimentos reais foi para conseguir lastro em bens e continuar tocando o negócio. Mas o argumento dele é que foi atropelado, entretanto, por uma reclamação de cliente no Procon de Itabira, que desembocou no alerta da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informando investidores que a Firv não tinha licença para operar como pessoa jurídica, nem com dinheiro de terceiros.

Para ser aceito pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), como operador pessoa jurídica, transformou a empresa em sociedade anônima. “Chegou a aplicar R$ 1 milhão no Banco do Brasil, conforme determinação da Lei das SA’s de dar contrapartida de 10% do capital da empresa”, revela representante do escritório de advocacia Brugnara Advocacia e Consultoria Empresarial, contratado na época.