Demanda por consórcio cresce quase 38,5% no país

Patinho feio das modalidades de aquisição de bens, o consórcio cresce no país e aposta no bom momento da economia para conquistar novos adeptos. “O comprador de consórcio está maduro. Quem entra nessa modalidade quer fazer um investimento planejado”, destaca o presidente regional da Associação Brasileira de Administradora de Consórcios (Abac), João Pedro Salomão. Nos […]

Patinho feio das modalidades de aquisição de bens, o consórcio cresce no país e aposta no bom momento da economia para conquistar novos adeptos. “O comprador de consórcio está maduro. Quem entra nessa modalidade quer fazer um investimento planejado”, destaca o presidente regional da Associação Brasileira de Administradora de Consórcios (Abac), João Pedro Salomão.

Nos quatro primeiros meses deste ano, a Abac registrou um aumento de 38,5% nas carteiras de consórcios, passando de R$ 13,5 bilhões para R$ 18,7 bilhões. Em número de participantes, o crescimento foi de 5,8% – de 3,63 milhões em abril do ano passado para 3,84 milhões em abril deste ano. Considerando as cotas vendidas o aumento foi de 14,2%, de 595,2 mil no primeiro quadrimestre do ano passado para o mesmo período deste ano.

Para o consumidor, o que interessa no consórcio é a possibilidade de pagar taxas menores. A Iveco, por exemplo, fabricante de vans e caminhões, aposta na modalidade e planeja um crescimento de 33% no número de consorciados e até o fim do ano, oferecendo carteiras com prazo de 100 meses, sendo que a taxa é de 13% do valor do veículo, com a parcela mensal em torno de 0,13%. Já as outras modalidades têm taxa média de juros mensal, de acordo com a Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), de 1,43% ao mês.

Apesar do crescimento, se considerado o setor automotivo, segundo a Anef, o consórcio representa apenas 6% das modalidades de pagamento para automóveis (40% financiados, 16% leasing e 38% a vista). Para os veículos pesados, a participação dos consórcios também é pequena: 2%. A maior parte, 71%, é vendida via Finame (linha de crédito do BNDES), seguido à vista (11%), financiados (9%) e leasing (7%).

Porém, para conquistar uma taxa menor é preciso ter o dom da paciência e esperar ser contemplado no sorteio. “A maioria das pessoas é imediatista, mas se não pode comprar à vista, não há outra opção melhor do que o consórcio”, afirma Salomão, da Abac. Outro fator que estimulou o crescimento da modalidade, na análise de Salomão, é que a crise que vigorou nos dois últimos anos tornou o crédito mais rigoroso. Em média, a taxa de administração para caminhões varia entre 12% a 15%

Planejamento

O gerente de Operações do Consórcio Iveco, Adriano Bruni, acredita que a maior profissionalização das transportadoras possibilita que os empresários apostem no planejamento. “Houve uma inversão na carteira de vendas do consórcio. Antes, a maioria era de autônomos, mas agora quem procura os financiamentos são as empresas de pequeno e médio porte (com até 30 caminhões)”, afirma Bruni. A participação dos autônomos no consórcio da Iveco diminuiu, segundo Bruni, de 60% para 40%.

Para alcançar a meta, a Iveco planeja vender 1,6 mil cotas. Bruni lembra que as vendas por consórcio sempre giraram em torno de 10% entre as modalidades da empresa, mas que a previsão é chegar até 20% no final do próximo ano. Nos primeiros quatro meses do ano, o segmento de pesados cresceu 14,4% em comparação com o mesmo período do ano passado.