Eletro pode ser uma boa opção para o Dia das Mães

CARLOS RHIENCK Hoje, mesmo com fim do IPU reduzido, alguns lojistas seguram os preços em função do estoque   Dizem que as mães não querem ganhar fogões e geladeiras, porque não querem ser identificadas com as atividades domésticas justamente no dia dedicado a elas. Preferem, sim, artigos mais femininos, como joias e perfumes. Mas são […]

CARLOS RHIENCK

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Hoje, mesmo com fim do IPU reduzido, alguns lojistas seguram os preços em função do estoque

 

Dizem que as mães não querem ganhar fogões e geladeiras, porque não querem ser identificadas com as atividades domésticas justamente no dia dedicado a elas. Preferem, sim, artigos mais femininos, como joias e perfumes.

Mas são justamente os eletrodomésticos os itens que estão com os preços mais baixos em relação ao ano passado, segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira (6) pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Alguns produtos da linha branca classificados com a letra A – pois gastam menos energia elétrica – tiveram redução de preço de até 3,57% em relação a abril de 2009. Já para o tradicional almoço de família em um restaurante, a diferença de preço em relação ao ano passado é de 6,21%, ou seja, ficou mais caro que a inflação dos últimos 12 meses, que foi de 5,72%, segundo a FGV.

A explicação para os preços mais baixos dos eletrodomésticos é a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que em abril de 2009 tinha acabado de ser decretada, mas ainda não fazia efeito para o consumidor, já que as lojas ainda trabalhavam com estoques. “E hoje, mesmo com o fim do IPI, alguns lojistas ainda conseguem segurar os preços, pois têm estoques comprados no período da redução”, explica o economista de FGV, André Braz.

Já a alta de preços dos restarantes é explicada por Braz como resultado do excesso de demanda. “A renda da população melhorou, a economia se aqueceu novamente após o fim da crise. Então, a demanda desse setor cresce, e os empresários aproveitam para lucrar”, analisa.

A pesquisa revela também que, além dos eletrodomésticos, caíram de preço as viagens, segundo Braz, como efeito da queda do preço das passagens aéreas. “As empresas têm feito muitas promoções, principalmente na venda por sites”, observa.

Flores, joias e bijuterias, outros presentes muito procurados para o Dia das Mães, também subiram mais que a inflação. As flores, por exemplo, subiram 12,45% no período, o que o economista explica como efeito das variações climáticas nesse ínício de ano, que foram mais intensas que no ano passado. Entretanto, Braz destaca que, na média, os preços não ficaram muito diferentes da variação da inflação no período.

“E mesmo subindo de preço, não podemos esquecer que o consumidor tem a liberdade de procurar onde comprar por valores mais baixos e com a mesma qualidade. No caso dos restaurantes, por exemplo, é só não ir àquele que está muito caro. Se agir assim, o consumidor acaba regulando o mercado”, afirma Braz.

A Fundação Getúlio Vargas divulgou também a pesquisa Sondagem de Expectativas do Consumidor, que mostra o quanto estão dispostos a gastar os filhos ao presentearem as mães. O levantamento foi feito no mês de abril em sete capitais brasileiras e ouviu dois mil consumidores de todas as classes sociais. O resultado indica que os filhos gastarão mais do que gastaram em 2009. Entretanto, esse valor será ainda menor que o que se gastou em 2008.

“Isso se explica porque, em abril de 2008, a crise econômica mundial ainda não havia começado e o Brasil estava em pleno crescimento econômico. Já em 2009, no pós-crise, o cenário mudou. As pessoas estavam mais cautelosas e pensando mais antes de comprar”, diz a economista que coordenou a pesquisa, Viviane Bittencourt.

A pesquisa mostra que a previsão de gasto das classes mais pobres – famílias com renda de até R$ 2.100 – é de presentes de até R$ 50, para 72,2% dos entrevistados nessa faixa de renda. Entre os mais ricos – os que têm renda familiar superior a R$ 9.600 – 58,7% planejam comprar presentes com preço superior a R$ 51.

O estudo mostra também que há maior vontade de gastar neste ano do que havia em 2009. A proporção de consumidores que pretendem gastar mais foi de 9,7% para 14,4%. Já entre os que projetam gastar menos, o percentual baixou de 32,9% para 19,6%. E o preço médio a ser gasto cresceu 1,7% na média nacional.