A Gerdau, maior fabricante de aços longos das Américas, apresentou lucro líquido de R$ 573 milhões nos primeiros três meses do ano, uma alta superior a 1.500% sobre o resultado de R$ 35 milhões registrados no primeiro trimestre de 2009. Apontando a recuperação dos mercados, a empresa anunciou expansão da produção própria de minério de ferro em Minas Gerais, com investimento de R$ 352 milhões. Com isso, a capacidade atual de produção, de 2,7 milhões de toneladas, vai saltar para 6,6 milhões de toneladas em 2012, o que tornará a usina integrada de Ouro Branco, na Região Central do estado, autossuficiente. Ao todo, a demanda global por minério da companhia é de 7,6 milhões de toneladas.
Mesmo com o incremento da produção, a previsão é de que o preço do aço seja reajustado. Em entrevista à imprensa, o diretor-presidente da companhia, André Gerdau, não antecipou índices, mas ressaltou a pressão dos custos e adiantou que a alta nos preços vai acontecer de forma variada, não somente no Brasil. “Temos dezenas de linhas de produtos. Não podemos precisar em que momento e em quais mercados ou região os reajustes vão ocorrer”, apontou o executivo. A Gerdau também confirmou o investimento de R$ 1,75 bilhão no laminador de aços planos (chapas grossas), em Ouro Branco. O equipamento terá capacidade de 1 milhão de toneladas por ano e o início das operações está programado para 2012. Na unidade também está programada a expansão da capacidade de produção de perfis estruturais, de 540 mil toneladas para 700 mil toneladas por ano, um investimento de R$ 100 milhões, que entrará em operação em 2011.
No primeiro trimestre deste ano, o faturamento bruto da Gerdau avançou de R$ 7,7 bilhões para R$ 8,2 bilhões. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações), também chamado de geração de caixa operacional, foi de R$ 1,4 bilhão, mais do que o dobro em relação ao primeiro trimestre de 2009. A produção consolidada de aço bruto cresceu 71% frente ao período de janeiro e março do ano anterior, para 4,4 milhões de toneladas. O crescimento da indústria automotiva nacional e a recuperação da venda de veículos nos Estados Unidos contribuíram para o incremento de 59% nas vendas de aços especiais no período.
A previsão é que este ano o consumo mundial de aço seja de 1,2 bilhão de toneladas, 11% superior a 2009. No Brasil foi comercializado no primeiro trimestre 1,5 milhão de toneladas, crescimento de 40% em relação ao ano anterior. A expectativa é de que setores como a construção civil, com previsão de crescimento de 10%, e a indústria de transformação, que também deve avançar 8% em 2010, além da indústria automotiva, sejam âncoras da demanda. A produção mundial de aço também avançou 29% nos primeiros três meses do ano, sendo que a China é responsável por 46% do total produzido globalmente.