Sobe preço do material de construção

A redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os materiais de construção não foi suficiente para conter a alta dos preços de alguns produtos nos últimos meses. Levantamento realizado pelo site Mercado Mineiro revela que a alta pode chegar a 39,6%, no caso de arames recozidos. Em março de 2009, antes da […]

A redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os materiais de construção não foi suficiente para conter a alta dos preços de alguns produtos nos últimos meses. Levantamento realizado pelo site Mercado Mineiro revela que a alta pode chegar a 39,6%, no caso de arames recozidos.

Em março de 2009, antes da entrada da medida em vigor, o preço médio era de R$ 6,89 o quilo. Na pesquisa mais recente, o valor saltou para R$ 9,62.

O cimento branco e o de rejunto (cores) apresentam alta de 4,59% e 9,92%, respectativamente. Já o preço médio do conjunto de banheiro (com pia e vaso) subiu de R$ 122,37 para R$ 148,54, alta de 21,39%. O quilo do prego encareceu 15,34% no período.

Mesmo assim, os empresários da indústria e comércio da construção civil tentam convencer o governo a prorrogar ou tornar permanente a redução do IPI, prevista para terminar em junho.

No pleito ao governo pela prorrogação do alívio fiscal, os empresários alegam que, em meio a uma forte demanda impulsionada inclusive pelo programa habitacional do governo, o Minha Casa, Minha Vida, a perspectiva de volta do imposto cheio poderia provocar uma antecipação das compras e levar até a um desabastecimento no setor. "Defendo a prorrogação porque aquece a economia, favorece o consumidor de baixa renda e gera emprego no setor da construção civil", disse o presidente da Associação do Comércio de Materiais de Construção de Minas Gerais (Acomac-MG), Ricardo Fortuna Caus.

Ele avalia que a alta de preços "não é generalizada" e deve ser analisada caso a caso. "É devido à velha relação de oferta e demanda."

Custo
O aquecimento do setor repercute no Custo Unitário Básico da Construção (CUB), que calcula o metro quadrado da construção na capital. Nos últimos oito meses, o índice apresentou alta. Em março passado, a variação foi de 0,21%. O custo médio foi de R$ 846,70. O fenômeno é diferente do que se viu nos automóveis, móveis e eletrodomésticos.

 
 
Vendendo mais cimento

Sustentada pelo avanço da construção civil nos últimos meses, a venda de cimento no Brasil no mês passado foi 20,6% maior que no mesmo mês de 2009. Foram 5,1 milhões de toneladas vendidas em março. Além do impulso da construção civil, o que ajuda a explicar esse crescimento robusto foi o primeiro trimestre ruim de 2009.

Ainda mergulhado na recessão, o país sentia os efeitos da crise financeira internacional. A queda das vendas foi generalizada, explica José Otávio Carvalho, vice-presidente executivo do Sindicato Nacional da Construção Civil.

“No primeiro semestre de 2009, as vendas foram fracas. Nossa projeção para aumento do consumo este ano é de 7,5%. Estamos revendo esses números, mas a expansão deve ficar só um pouco mais alta”, afirmou.