Reflexões de itabiranas no país da Copa do Mundo 2010

Natália, Mariane e Gabriela no aeroporto de Johannesburgo (a caminho da Cidade do Cabo) em frente a um painel da Copa do Mundo 2010

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As itabiranas Mariane Reis Gomes, Gabriela Saez Milanio e Natália Maria Gandra Lana passaram quatro semanas na África do Sul, estudando Inglês pela EF International Language Schools. Mariane é ex-professora de Inglês da Escola Técnica de Formação Gerencial (ETFG) do Sebrae e, atualmente, secretária executiva da Unifei Itabira, além de revisora da revista DeFato. Gabriela concluiu o ensino médio integrado em 2009, na ETFG-Itabira, onde Natália cursa o terceiro ano.

O texto abaixo mostra as impressões das brasileiras no país que sedia a Copa do Mundo de 2010. Leia e comente!

 

Brasil 2014?!
Por Mariane Gomes (com colaboração de Gabriela Milanio e Natália Lana)
 
A África do Sul é um país maravilhoso! Banhado por dois oceanos – o Atlântico e o Índico – é o cenário natural de espetáculos inesquecíveis e de histórias admiráveis. Berço de um povo sofrido, mas que resistiu a 40 anos de segregação racial e que agora será o palco de um dos maiores eventos esportivos: a Copa do Mundo!
 
Não, leitor. Você não está lendo o texto errado. Quando a editora de DeFato, Kelly Eleto, pediu que eu relatasse minhas impressões da África do Sul, especialmente da Cidade do Cabo, às vésperas da Copa, comecei a observar ao meu redor e logo pensei: e como será no Brasil daqui a quatro anos?… O texto que segue não é uma previsão sobre o que acontecerá em solo brasileiro, mas um relato de como está esse país emergente – tão parecido com o Brasil – a menos de três meses do início da Copa e uma tentativa de nos fazer pensar sobre tudo que ainda precisa ser feito no nosso país.
 
Antes de chegarmos à Cidade do Cabo (eu e minhas companheiras, Natália Lana e Gabriela Milanio) fizemos uma conexão em Johanesburgo (maior cidade da África do Sul e sede da Cerimônia de Abertura da Copa do Mundo). Assim que desembarcamos, percebemos que tudo, absolutamente tudo no aeroporto fazia referência à competição. Cartazes, folhetos, outdoors… Porém, assim que atravessamos a aduana, notamos alguns problemas. Aeroporto lotado, falta de sinalização eficiente e de profissional qualificado. Uma confusão!

Para se ter uma ideia, despachamos nossas malas em Confins e recebemos um comprovante de que as malas iriam de BH à Cidade do Cabo. No entanto, tivemos que fazer um novo check-in em Jo’burg. Pegamos nossa bagagem e procuramos o guichê da empresa aérea. Havia um no andar térreo onde desembarcamos. Enquanto nos dirigíamos até lá para pedir informações, um funcionário veio até nós e nos informou que deveríamos ir para o terceiro andar. Fomos. No caminho, vários homens, de uniforme laranja, se ofereceram para ajudar a carregar a bagagem ou para nos guiar. Na realidade, eles parecem funcionários do aeroporto, mas não são. Oferecem ajuda e cobram por ela. Já estávamos cientes disso, então, continuamos nossa jornada.

Quando chegamos ao terceiro andar, havia mais de dez guichês da mesma companhia. Pedimos informação a outro funcionário e ele nos levou até a área de embarque (sem que tivéssemos despachado nossa bagagem!). Tudo isso em 1h30! O tempo que tínhamos entre um voo e outro. Nossa sorte foi que encontramos um brasileiro. E adivinhe? O check-in deveria ser feito lá no térreo, na primeira fila em que estávamos. Voltamos lá, despachamos nossa bagagem e corremos até o terceiro andar novamente. Conseguimos embarcar, mas fomos as últimas a entrar no avião. Tudo bem para nós, pois isso fará parte de nossa história, será uma de nossas aventuras. Mas começamos a pensar em como seria em junho, com milhões de pessoas circulando pelo aeroporto. Afinal, ele é o maior do país.
 

Duas horas depois, chegamos à Cidade do Cabo. Aeroporto pequeno, sem filas, mas ninguém para conferir as bagagens com os tickets. Qualquer um pode pegar qualquer mala. Quando perguntamos a uma funcionária, ela nos respondeu: “Confiamos que as pessoas vão pegar somente a bagagem que lhes pertence”… Para agravar a situação, uma das malas da Natália tinha sido despachada no vôo errado. Mais duas horas no aeroporto esperando a bagagem.
 
Viemos, então, para a cidade. Linda, limpa, surpreendente e repleta de história. Começamos a andar e percebemos como tudo aqui funciona de forma diferente das grandes cidades brasileiras. O clima é interiorano, apesar do tamanho da cidade. O comércio para às 5h da tarde. Inclusive os shoppings do centro da cidade. Depois desse horário, somente bares, restaurantes e dois grandes shoppings no subúrbio ficam abertos. Nos fins de semana, só há movimento até as 13 horas de sábado. Depois disso, nada mais. Igualzinho aos fins de semanas das cidades do interior de Minas.
 
No entanto, apesar da singularidade da cidade, um problema talvez dificulte a realização dos jogos. Não há transporte público. Para ir a qualquer lugar, precisamos pegar os minibuses, vans particulares que trabalham com autorização do governo ou táxis. Desde o ano passado, o governo está tentando implantar um sistema integrado de transporte, mas ainda não conseguiu devido à resistência dos motoristas dos minibuses.
 
Também nos surpreendemos com o clima na cidade. Apesar de a Copa estar tão próxima, não há animação pelas ruas nem aquela energia que sentimos vibrar pelo Brasil afora. Parece que nada importante acontecerá. A vida segue normal. A única diferença é o estádio moderníssimo e as placas pela cidade.
 
Pois é… abrir as portas para o mundo não é uma tarefa fácil. Especialmente em um país em desenvolvimento, que conta com menos de 20 anos de governo democrático.  E apesar do pouco tempo que ainda resta para a Copa, há muito ainda para ser feito. E esperamos que tudo seja realizado em tempo porque realmente torcemos para o sucesso desse evento.

Afinal, será a primeira Copa do Mundo em solo africano e, como disseram alguns capetonianos, é extremamente importante que tudo seja um sucesso para mostrar ao mundo que, apesar da longa história de exploração, das dificuldades financeiras e dos problemas sociais, eles são capazes de organizar grandes eventos. A Copa fez com que o mundo visse a África do Sul com olhos diferentes.