Polícia prende suspeito de ser o maníaco do bairro Industrial

Mistério. Delegados saíram ontem do Departamento de Investigações sem falar com a imprensa

 A Polícia Civil prendeu ontem o homem que pode ser o maníaco que, entre abril e novembro do ano passado, estuprou e matou três mulheres no bairro Industrial, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Outros dois assassinatos de mulheres na mesma região também são atribuídos a ele.

A prisão, feita por policiais da equipe de Divisão de Crimes contra a Vida (DCcV) de Belo Horizonte, aconteceu pela manhã, na casa do suspeito, também no bairro Industrial. Até a noite de ontem, a descoberta da polícia estava cercada de mistério. À meia-noite, a imprensa aguardava por informações na porta do Departamento de Investigações (DI) da Polícia Civil, no bairro Lagoinha, região Noroeste, para onde o suspeito foi levado. O andar onde o suspeito estava foi isolado e até mesmo policiais do departamento tiveram a circulação restringida.
Por volta de 22h15, os delegados Wagner Pinto, chefe da Delegacia de Homicídios, e Frederico Abelha, que preside o inquérito, saíram do local acompanhados do chefe do DI, Edson Moreira, sem dar qualquer declaração à imprensa.

Eles não falaram sobre a identidade do acusado, mas fontes ligadas à Polícia Civil informaram que o suspeito é casado, pai de cinco filhos e conhecia as vítimas. "Pelo que me informaram, ele é um cara tranquilo, fora de qualquer suspeita", disse a fonte.

A fonte informou ainda da que o retrato falado, constituído a partir de informações de uma testemunha, colaborou para que os investigadores chegassem ao suspeito. O acusado tem cerca de 1,80m de altura, é branco, forte e tem aproximadamente 30 anos. Telefones celulares encontrados na casa do suspeito e que seriam das vítimas são, de acordo com a fonte, a prova mais concreta que liga o acusado aos assassinatos. A informação, no entanto, não foi confirmada pela Polícia Civil.

Hoje devem ficar prontos os exames de DNA que podem confirmar a relação do suspeito com os crimes. Ontem à tarde, peritos recolheram material para comparação genética com as amostras de sêmen encontradas em três das vítimas. Geralmente esses resultados só são liberados até 20 dias após a coleta, mas pela relevância do caso, a Polícia Civil pediu urgência na análise.
Anísio Hernisdorss, que comanda a equipe de peritos, não revelou que tipo de material do suspeito foi recolhido, contudo, mostrou-se otimista em relação à solução do caso. "A polícia está no caminho", resumiu.

Ontem à noite, a reportagem de O TEMPO obteve informações sobre as primeiras horas do suspeito na prisão. Detido em uma sala do departamento, ele teria jantado – a mesma refeição dos presos abrigados no local – e aguardava a definição sobre onde passaria a noite, se numa cela separada no DI ou se seria transferido para outra unidade da Polícia Civil. Ouvido por policiais que comandam a investigação, ele teria negado qualquer ligação com os crimes. A polícia acompanhava os passos do suspeito há cerca de um mês.

Promotor
Estaca zero. O promotor Francisco Santiago, que participa da força-tarefa que procura o homicida, chegou a dizer, na sexta-feira passada, que as investigações estavam na "estaca zero".


 
 
Ataques mantinham perfil

O maníaco teria um perfil preferencial para atacar suas vítimas. As mulheres seriam magras, morenas, de cabelos longos e lisos. As suas ações ficaram marcadas por levar consigo os celulares das vítimas.

A empresária Ana Carolina Menezes Assunção, 27, Maria Helena Aguiar, 48, e a contadora Edna Cordeiro de Oliveira Freitas, 35, possuem o mesmo perfil biofísico. O desaparecimento da comerciante Adina Feitor Porto, 34, e da estudante Natália Cristina de Almeida Paiva, 27, comprovam o perfil de perversidade.