Vale quer aumentar depósito de material inservível e construir nova usina em Itabira
A Vale apresentou dois projetos de manutenção da atividade minerária em Itabira nessa sexta-feira, 30, a empresários e à imprensa, num encontro no auditório da Acita. Os projetos Itabiritos Conceição e Ampliação do Complexo Itabira ainda estão em fase de licenciamento ambiental e sem data para começar, mas as promessas da empresa são de ampliação […]
A Vale apresentou dois projetos de manutenção da atividade minerária em Itabira nessa sexta-feira, 30, a empresários e à imprensa, num encontro no auditório da Acita. Os projetos Itabiritos Conceição e Ampliação do Complexo Itabira ainda estão em fase de licenciamento ambiental e sem data para começar, mas as promessas da empresa são de ampliação da produção, geração de emprego e melhor aproveitamento dos recursos minerais.
Os projetos foram apresentados pelo gerente geral da Vale em Itabira, Rodrigo Chaves, e pelo gerente de operações e tratamento da Mina Cauê, Rodrigo Magalhães. Segundo os executivos, os investimentos são de médio e longo prazo e a expectativa é que as empresas de Itabira participem da iniciativa, com prestações de serviços e produtos.
Projeto Ampliação do Complexo Itabira
O projeto de Ampliação do Complexo de Itabira envolve todas as minas em operação da Vale na cidade. Trata-se, basicamente, de aumentar as áreas de depósito de material estéril, que não tem valor comercial. Segundo a empresa, as chamadas Pilhas de Disposição de Estéril (PDE) (que são as áreas destinadas ao material inservível) precisam ser ampliadas para que a produção siga o ritmo.
O licenciamento ambiental inicial, que já passou pelas aprovações municipais, prevê a unificação de duas dessas pilhas (ou áreas) e a criação de outra, na região de Conceição, denominada Pedreira Borrachudo. “Esta ampliação é inevitável, pois para extrair o minério é preciso tirar e descartar o material que não possui valor comercial”, disse Rodrigo Magalhães.
Rodrigo Chaves, gerente geral, disse que haverá também uma expansão das áreas de exploração, mas dentro das delimitações licenciadas que a empresa já possui. Ou seja, neste quesito, não haverá obstáculo.
Plano de impacto ambiental
A empresa apresentou também, resumidamente, o plano de impacto ambiental que compensará a expansão da área de despejo. As medidas, segundo a mineradora, já são praticadas em todas as explorações em Itabira e em outras regiões do Brasil. O estudo de impacto abordou nove temas, que vão desde ruído causado por máquinas a afugentamento de animais. Mas a questão da água e do desmate de vegetação foram os mais discutidos.
Rodrigo Chaves afirmou que, a respeito da água, não haverá impacto significativo. Ele disse que não precisará rebaixar o lençol freático; serão construídos apenas diques de drenagem para não entupir as nascentes, se for necessário. Sobre o desmatamento da vegetação para criação das pilhas, o gerente enfatizou que a empresa é obrigada, por lei, a reflorestar outra área equivalente à destruída na mesma bacia hidrográfica. “Queremos que esta ação ambiental aconteça em Itabira”, disse.
Projeto Itabiritos Conceição
O projeto Itabiritos Conceição foi o que mais despertou interesse dos empresários presentes, por se tratar de uma oportunidade de negócio para empresas da cidade. Trata-se da criação de uma nova instalação de tratamento de minério na Mina Conceição e a adequação de uma usina já existente. O objetivo é aproveitar o Itabirito, material de baixo teor de ferro, que hoje é descartado por não ser viável economicamente.
A previsão é que a nova instalação produza 12 milhões de toneladas de produtos finais anualmente. No auge do processo de instalação, serão gerados 3 mil empregos, num período de 12 a 14 meses. Depois de pronta, a nova unidade vai demandar cerca de 300 profissionais diretos.
Segundo a Vale, este investimento significa aumento da vida útil das atividades em Itabira e movimentação da economia, além de ter uma importância do ponto de vista ecológico. O itabirito, que então não era aproveitado, por ter 40% de teor de ferro (o ideal é acima de 50%), passará a ser trabalhado, com os processos tecnológicos até então inexistentes por aqui. Até os materiais já descartados, que estão nas pilhas de estéril, serão reaproveitados. Ao todo, são 500 milhões de toneladas de produtos a serem explorados.
Questão ambiental
Segundo apresentou a empresa, a instalação da nova usina causará poucos impactos ambientais, pois não exigirá muitas alterações na logística. A barragem de contenção (a do Itabiruçu) continuará a mesma, as ferrovias não sofrerão alterações e ainda haverá uma demanda menor por áreas para depósito de material não aproveitável, o estéril.