Como enfrentar a incerteza

Por mais que tenha se assustado com os altos e baixos da bolsa nos últimos meses, quem está guardando dinheiro para um projeto de longo prazo, como a aposentadoria, não deve deixar de aplicar parte do patrimônio em ações. "Não precisa ser muito: cerca de 25% do total já é suficiente para aproveitar a esperada […]

Por mais que tenha se assustado com os altos e baixos da bolsa nos últimos meses, quem está guardando dinheiro para um projeto de longo prazo, como a aposentadoria, não deve deixar de aplicar parte do patrimônio em ações. "Não precisa ser muito: cerca de 25% do total já é suficiente para aproveitar a esperada recuperação da Bovespa", diz o assessor financeiro Gustavo Cerbasi. "Só deve ficar fora da bolsa quem está a menos de cinco anos da aposentadoria, para não correr o risco de pegar um momento ruim do mercado", diz José Eduardo Vaz Guimarães, diretor da BrasilPrev, braço de previdência do Banco do Brasil. Os planos de previdência que investem em ações são alternativas interessantes porque oferecem benefícios tributários. Mas atenção: é preciso ficar de olho nas taxas de administração e carregamento cobradas por esses produtos – elas não devem ser maiores que 2% e 2,5% ao ano, respectivamente, segundo os especialistas.
 
IMÓVEIS
Às vezes, nem a Justiça resolve
Os empreendimentos lançados durante o boom imobiliário estão começando a ser entregues agora – mas vários estão atrasados e a perspectiva para os próximos meses não é boa. "Ocorreram muitos lançamentos, e é provável que mais imóveis fiquem prontos depois do prazo", diz Márcio Bueno, advogado especializado no setor. É possível recorrer à Justiça? Somente em alguns casos. Veja no quadro abaixo os conselhos dos advogados:

BOLSA
Para correr menos risco, ative o conta-gotas
Investir em ações é sempre arriscado, mas é possível adotar estratégias para ser mais conservador. Uma delas é aplicar na bolsa aos poucos, fazendo pequenos aportes ao longo do tempo. Em 2008, por exemplo, quem dividiu seus investimentos em ações que fazem parte do Ibovespa ao longo de 12 meses perdeu, em média, 32%. É muito? Sim, mas é menos que a queda de 41% sofrida por aqueles que fizeram uma única aplicação no início do ano. É verdade que, quando o mercado vai bem, ir aos poucos pode diminuir os ganhos. "Para quem quer se proteger, porém, vale a pena arcar com esse custo", diz Rossano Oltramari, sócio da consultoria gaúcha XP Investimentos.

RENDA FIXA
Fundos mais baratos
Há alguns anos, quem tinha menos de 10 000 reais para aplicar num fundo DI dificilmente encontraria um produto com taxa de administração inferior a 2% ao ano. Recentemente, porém, o mercado começou a mudar. Desde 2007, foram lançados cinco fundos de varejo que cobram até 1%. Um dos motivos da mudança é a queda dos juros, que reduz a rentabilidade dos fundos DI. "Se essa tendência continuar, vai aumentar a pressão por taxas menores", diz Joaquim Kokudai, diretor da Rio Bravo – que tem um DI com taxa de 0,35%.

IPOs
Pouquíssimos foram bem
Depois de um jejum de quase 11 meses, o mercado de IPOs no Brasil pode ser reinaugurado pela processadora de operações com cartões Visanet, que está preparando sua abertura de capital. Se ocorrer de fato (a empresa cancelou uma oferta recentemente), a estreia da Visanet virá depois de uma sequência de IPOs que geraram grandes prejuízos aos investidores. Das 68 empresas que foram a mercado desde 2007, apenas quatro têm suas ações sendo negociadas a preços superiores ao da abertura de capital – é o caso da companhia de telecomunicações GVT e da SLC Agrícola. Alguns papéis tiveram perdas de mais de 90%, como os da Agrenco e da Laep, controladora da Parmalat.

ENTREVISTA
Será a volta das small caps?
É nisso que aposta o investidor americano Michael van Biema. Ex-professor da Universidade Columbia e dono de uma gestora de recursos em Nova York, ele virá a São Paulo em junho para avaliar o mercado brasileiro e participar do congresso de investimentos Value Investing Brasil.

Este é o momento de comprar ações de empresas de baixo valor de mercado, as small caps?
Sim, mas é preciso estar disposto a manter os papéis por prazos longos, que é o que eu costumo fazer. Nesse caso, o mercado brasileiro está recheado de oportunidades, algo que não acontecia há anos. Havia reduzido bastante minha exposição à Bovespa, mas agora vou voltar a investir.
Em quais ações?

 

Estou de olho em dois nichos principais. Um deles é formado por empresas que fornecem insumos, como fornos, para as siderúrgicas, mineradoras e outras produtoras de commodities. Geralmente, os preços desses produtos oscilam menos que os das commodities – por isso, essa é uma maneira de tentar lucrar nesse segmento correndo menos riscos. Também acredito nas empresas "chatas", que têm resultados previsíveis, como as fabricantes de máquinas e equipamentos e as companhias de energia elétrica – desde que escolhidas as que têm menos risco regulatório.