Mudança na poupança mexe com a cabeça do investidor

Os cortes da taxa básica de juros (Selic) trouxeram uma grande preocupação para o governo federal: com a diminuição do rendimento de fundos de investimento e títulos do governo atrelados a essa taxa, a poupança – que tem rendido cerca de 0,6% ao mês – pode ser encarada como porto seguro para o capital dos […]

Os cortes da taxa básica de juros (Selic) trouxeram uma grande preocupação para o governo federal: com a diminuição do rendimento de fundos de investimento e títulos do governo atrelados a essa taxa, a poupança – que tem rendido cerca de 0,6% ao mês – pode ser encarada como porto seguro para o capital dos grandes investidores. Para evitar que eles retirem dinheiro desses fundos – que subsidiam investimentos em infraestrutura -, o governo já anunciou que estuda uma forma de reduzir a rentabilidade da caderneta.

Entre as mudanças, que podem ser anunciadas nos próximos dias, estão alterar a Taxa Referencial (TR), de forma que a poupança renda sempre 0,5% por mês, ou criar diferentes faixas de rendimento – quanto maior a aplicação, menor o ganho. Avalia-se ainda tributar depósitos acima de R$ 500 mil.

Para o consultor em economia do Ibmec Breno de Campos, cortar o rendimento de forma linear afetaria principalmente a baixa renda. "Reduzir o rendimento da poupança de forma linear seria injusto com a população de baixa renda, tiraria o incentivo e limitaria a capacidade das pessoas de poupar dinheiro. Se a poupança não é atraente, a pessoa pode preferir gastar o dinheiro."

Na avaliação dele, o ideal seria um mecanismo que diminuísse o rendimento só para aplicações maiores, o que tornaria a poupança pouco atraente para os grandes investidores e não traria prejuízo para a população com menor poder aquisitivo. Outra saída apontada pelo especialista seria o governo tentar uma negociação com os bancos para reduzir as taxas de administração de fundos de investimento.

Campos considera ainda que o investimento em títulos do governo continua sendo mais interessante do que a poupança. "É uma modalidade de investimento que pode ser feita por pequeno, médio e grande investidor. A rentabilidade é boa e o governo garante essas operações. O problema é que há pouca divulgação porque os bancos não têm interesse que as pessoas apliquem, já que o dinheiro não passa por eles", reforça.

Para o especialista em administração de finanças Eduardo Coutinho, a melhor postura para o pequeno investidor é ter cautela e manter o dinheiro guardado. "Qualquer atitude agora pode ser precipitada. Essa mudança pode ser muito sutil para o pequeno investidor", comenta. Ele acredita que o impacto com a mudança que está por vir não deve gerar um movimento de retirada do capital por parte. "As alternativas para quem tem pouco dinheiro para aplicar não são muito atraentes. As taxas de administração dos fundos de investimentos são muito altas quando o investimento é pequeno", ressalta.