Comércio demitiu 6% nos últimos cinco meses, diz pesquisa
Adilson Simeão (Data MG) e Maurício Martins (CDL) apresentaram os dados
A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Itabira realizou, em parceria com o Instituto de Pesquisas Data MG, um levantamento sobre o impacto da crise mundial no comércio itabirano nos últimos cinco meses. A pesquisa foi realizada entre os dias 10 e 14 de março, com empresas associadas à CDL, e questionou também sobre o impacto da turbulência no desempenho dos negócios, o crédito e a expectativa dos empresários para os próximos meses. De acordo com os dados apresentados durante uma coletiva de imprensa nesta terça-feira, 24, as demissões representam 6% do total de postos de trabalho gerados pelo varejo.
O índice de desemprego é advindo de ajustes no quadro de funcionários de 17% das empresas. A grande maioria, entretanto, (79%), disse não ter precisado cortar postos de trabalho. O presidente da CDL, Maurício Henrique Martins, considerou o número razoável e abaixo do esperado. Os dados vêm reafirmar o que ele havia dito, no final do ano passado, que o comércio estava estabilizado e resistira bem à crise. O diretor-presidente do Instituto Data MG, Adilson Alves Simeão, também presente na coletiva, ressaltou que as empresas de pequeno porte foram as que mais se mantiveram firmes.
Em relação aos impactos negativos da crise, 67% dos entrevistados disseram que foram atingidos. Para os próximos seis meses, entretanto, 40% acham que as perspectivas de negócios ficarão estáveis, mesmo diante de 61% de inadimplência dos consumidores, segundo os consultados. Com relação às ações que podem ser tomadas para melhorar a atual situação econômica, por parte dos governos municipal, estadual e federal, 69% do empresariado afirmou que a redução de impostos seria um bom começo. Veja o relatório da pesquisa.
Ações
Dentro de 60 dias, a CDL deve fazer uma nova pesquisa para saber como anda o ritmo da economia comercial em Itabira. A partir das informações divulgadas hoje, já estão previstas alguns projetos como assessoria em gestão de pessoas e jurídica, sistema de cobranças para os associados e um novo programa de treinamento profissional, por meio do Instituto IM3, que possui parcerias com outras CDLs do Brasil.
Reajuste abusivo
Depois de apresentar o relatório, Maurício Martins pontuou como fator negativo para o comércio a atitude de algumas empresas do ramo imobiliário em Itabira. O presidente classificou como abusivos os reajustes do aluguel comercial que, segundo ele, tem chegado a 100% em alguns casos. “Só não avenida João Pinheiro, umas três ou quatro lojas já fecharam por causa do preço alto das locações”, afirmou.
Maurício deu exemplo próprio, de suas lojas, e disse que recebeu um comunicado da imobiliária sobre o aumento, sem espaço para negociações. Ele afirmou que a CDL vai buscar o entendimento entre os empresários do ramo para tentar chegar a um consenso.