Acionistas aprovam modelo de privatização da Copasa e governo projeta arrecadação bilionária

Acionistas da Copasa aprovam modelagem de venda, e governo de Minas projeta arrecadação de ao menos R$ 4 bilhões com entrada de investidor estratégico

Acionistas aprovam modelo de privatização da Copasa e governo projeta arrecadação bilionária
Foto: Copasa/Agência Minas

Os acionistas da Copasa aprovaram, nesta segunda-feira (23), a modelagem proposta pelo governo de Minas para a privatização da estatal. A Assembleia Geral também autorizou mudanças no estatuto da companhia. Assim, a empresa avança na preparação para operar sob lógica de mercado.

Com a decisão, o Estado poderá negociar parte das ações que garantem hoje a participação majoritária. Ao mesmo tempo, o governo pretende manter uma Golden Share. Essa ação especial garante poder de veto em decisões estratégicas. No entanto, não concede vantagens econômicas nem direito de voto nas assembleias.

Ajustes na estrutura e na governança

Durante a reunião, os acionistas aprovaram ajustes na governança, na estrutura administrativa e no limite de votos. Além disso, validaram mudanças no capital social. Essas medidas buscam tornar a empresa mais atrativa para investidores.

Também será criado um Comitê de Transações. O mecanismo pretende proteger a companhia contra a dispersão acionária. Ou seja, evita que o controle fique pulverizado entre muitos investidores sem referência clara.

Cronograma e objetivo financeiro

O governo trabalha para concluir a operação entre o fim do primeiro trimestre e o início do segundo trimestre deste ano. A meta é arrecadar ao menos R$ 4 bilhões. Segundo o Executivo, o valor ajudará a reorganizar as contas públicas.

O modelo definido pelo governador Romeu Zema prevê oferta secundária. Nesse formato, o Estado vende ações sem emitir novos papéis. Portanto, o dinheiro obtido vai diretamente para o caixa estadual.

Em seguida, os recursos devem ser destinados ao pagamento da dívida com a União. Além disso, poderão cumprir contrapartidas do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).

Busca por investidor estratégico

A proposta prioriza a entrada de um investidor estratégico com experiência no setor de saneamento. Inicialmente, esse parceiro poderá adquirir cerca de 30% do capital social. Depois, poderá ampliar a participação no mercado.

O modelo também prevê um período de lock-up de quatro anos. Nesse intervalo, o investidor não poderá vender integralmente sua participação. Após esse prazo, a venda parcial dependerá do cumprimento de metas de universalização dos serviços ou do prazo limite de 2033.

Se o governo atrair esse parceiro, poderá manter cerca de 5% da empresa. Caso contrário, existe a possibilidade de venda total das ações estaduais.

Valor da empresa ainda será definido

O valuation da companhia ainda depende da conclusão dos estudos técnicos. Entretanto, estimativas de mercado apontam valor superior a R$ 19 bilhões. Esse número pode crescer com a renovação de contratos com municípios atendidos, incluindo a capital mineira.

Assim, a privatização da Copasa se consolida como uma das principais estratégias do governo para reforçar receitas. Ao mesmo tempo, o tema amplia o debate sobre impactos na prestação de serviços essenciais e no acesso ao saneamento em Minas Gerais.