Acredite quem quiser: o Valeriodoce ainda respira

O Valeriodoce Esporte Clube, tradicional equipe itabirana, criada cinco meses depois da fundação da velha Companhia Vale do Rio Doce (22 de novembro de 1942) e por ela aprovado como seu clube oficial, ainda respira. Ninguém sabe como, é um mistério a notável sobrevivência, mas, com toda a clareza, há sinais de vida no bairro […]

O Valeriodoce Esporte Clube, tradicional equipe itabirana, criada cinco meses depois da fundação da velha Companhia Vale do Rio Doce (22 de novembro de 1942) e por ela aprovado como seu clube oficial, ainda respira. Ninguém sabe como, é um mistério a notável sobrevivência, mas, com toda a clareza, há sinais de vida no bairro do Campestre.
 
DeFato fez uma visita às instalações do clube na tarde desta terça-feira, 15 de dezembro, e encontrou um ambiente desolado: os cinco ginásios cobertos, totalmente silenciosos, fechados, com a falta incrível de seres humanos, esportistas ou não; os campos de futebol e soçaite, com gramas altas, por podar; a academia parecendo um velório desativado, sem vivos e mortos; lavanderia, salão de festas, bar, área para alojamento, sauna — tudo entregue à mercê de umas visitas que chegam sempre para lamentar; somente duas piscinas ocupadas, a semi-olímpica por um nadador, a outra por crianças e adolescentes; na secretaria, uma funcionária e mais três operários, com salários atrasados, cortando a grama dos jardiins, ainda verdes.
 
A bela e invejável estrutura, como avaliam os mais experientes atletas que por Itabira já passaram, incluindo Paulo Isidoro e Reinaldo, ambos ex-ídolos do Atlético Mineiro, parece um elefante branco, ou mesmo vermelho e branco, adaptado às cores conhecidas do Dragão em tempos não muito distantes.
 
Mas se alguém se aventurar a procurar o presidente do clube, Reginaldo Sá, conhecido como Nanaldo, como o fez DeFato, se surpreenderá. Esse e mais alguns diretores, seus auxiliares, ou braços-direitos, não desanimam. Eles correm atrás como se tudo fossem somente flores, não há desânimo que atinja a esperança e a confiança em melhores dias.
 
MÓDULO II
 
Em 7 de fevereiro de 2010, começa o Módulo II do Campeonato Mineiro de Futebol. Nele estará o Valério com o seu tradicional uniforme vermelho e branco. A primeira providência para custear as despesas normais parece um milagre e quem informa é o presidente Nanaldo: “As certidões negativas do FGTS, INSS e Receita Federal estão chegando para regularizarmos a situação do clube e que, então, possamos receber verbas da Prefeitura”. De acordo com ele, a municipalidade tem, no orçamento de 2010, R$ 350 mil de subvenção para o VEC.
 
Mas não somente isso para resolver os problemas do Valério. Já estão sendo preparados, alguns vendidos, espaços para publicidade de empresas dentro do Estádio Israel Pinheiro. Vai funcionar assim: a empresa contribui com R$ 6 mil (podem ser pagos em até quatro parcelas) e recebe a placa com dimensão de 1 x 5 metros, em metalon e lona impressa, para veicular durante um ano. Além de ter a publicidade de seu empreendimento, o contribuinte concorre a um Fiat Linea 2010, a ser sorteado em 20 de fevereiro do ano que vem. Segundo o presidente, são 35 placas e espaços, tendo sido vendidas 13 até agora, de acordo com membros da diretoria.
 
PRÉ-TEMPORADA
 
O Valério está formando uma equipe para a disputa do Módulo II. Antes mesmo de conhecer o seu grupo, já procura uma cidade para preparar o plantel. A cidade escolhida até agora é Santo Antônio do Rio Abaixo, em parceria com a Prefeitura, que forneceria, além do campo para treinamento, uma casa para alojamento dos jogadores. A ideia é levar toda a estrutura de copa e cozinha para a casa. O único problema, Nanaldo espera resolver com o bom tempo, já que essa pré-temporada se realizará de 4 a 20 de janeiro. A estrada de Passabém a Santo Antônio, via São Sebastião do Rio Preto, está sendo preparada para asfaltamento e pode ser um empecilho aos planos valerianos.