Adolescente isenta comerciante de ser mandante de crime
Delegados apresentaram informações do caso que chocou o distrito de Ipoema
Deverá ser solto pela Polícia Civil de Itabira o comerciante Silvano Aparecido Santos, 41 anos, que havia sido acusado por um jovem de 18 anos como sendo o mandante do assassinato da professora Delaine Maria Guerra, 50 anos, no distrito de Ipoema. O autor confesso do crime mudou a versão contada anteriormente e isentou o empresário de participação no homicídio. O rapaz disse que agiu sozinho. E mais: admitiu também ter estuprado a vítima.
As informações foram passadas pelos delegados Juliano Alencar e Paulo Henrique Moreira Campos, além do delegado regional, Paulo Tavares, na tarde desta quarta-feira, 27 de agosto, em entrevista coletiva à imprensa. O jovem apresentou a nova versão durante a reconstituição na segunda-feira (25) e confirmou durante acareação nessa terça (26).
Os delegados contaram que as investigações para chegar ao autor foram complicadas. Muita gente precisou ser ouvida. Eles precisaram apurar se o crime era “apenas” contra a vida, ou se haveria outras qualificações, como roubo ou estupro. A partir do laudo da necropsia, a hipótese do atentado sexual ficou mais forte, já que foi encontrado material genético masculino na peça íntima da vítima.
Começaram, então, a chegar informações. A principal delas veio de um policial militar aposentado, morador de Ipoema, que indicou o rapaz como possível autor. Na época ele tinha 17 anos e já era suspeito de ter cometido outros três estupros. Os civis foram atrás das outras vítimas e conseguiram chegar até o acusado. “Em depoimento, questionamos todos os crimes e ele acabou confessando o crime contra a professora, inclusive com detalhes”, disse o delegado Juliano. De acordo com Paulo Henrique, o jovem tem sinais de transtorno psicológico, especialmente relacionado à área sexual, com indícios de distúrbios.
O rapaz confessou o estupro durante a reconstituição. Ele contou com frieza e riqueza de detalhes como surpreendeu a vítima, a levou para o quarto e depois a trouxe para a sala e cortou-lhe o pescoço com uma faca. O jovem ainda disse que havia um segundo autor na cena do crime, mas ainda não há elementos que comprovem a afirmativa.
O jovem está preso por causa de um furto que cometeu em uma empresa em que trabalhava. Por causa do crime, pode pegar até três anos de detenção, porque era menor quando cometeu o homicídio. Mas, como será acusado também por denunciação caluniosa – por ter indicado o nome do comerciante – a pena pode subir para até oito anos de prisão.