Agências de viagens lideram ranking dos empreendimentos em Minas

O ranking dos 10 negócios mais atrativos aos olhos dos empreendedores mineiros ganhou um integrante de peso este ano: as agências de viagens. A atividade é a campeã na preferência de abertura de negócios no estado e desbancou setores tradicionalmente de peso para quem sonha em não ter patrão, como vestuário, beleza e alimentação, de […]

O ranking dos 10 negócios mais atrativos aos olhos dos empreendedores mineiros ganhou um integrante de peso este ano: as agências de viagens. A atividade é a campeã na preferência de abertura de negócios no estado e desbancou setores tradicionalmente de peso para quem sonha em não ter patrão, como vestuário, beleza e alimentação, de acordo com dados do Serviço de Apoio às Micros e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae-MG). A entidade não divulga valores para investir em novos negócios, como agências de turismo, mas, de acordo com empresários do setor, a abertura de uma boa loja, partindo do zero e incluindo o custo com o ponto, gira em torno de R$ 80 mil a R$ 100 mil.

Mas o que levou as agências de viagens a bombarem no mercado de novos investimentos? “O Ministério do Turismo está incentivando a formalização das agências, principalmente as receptivas que atuam muito no interior do estado. Outro ponto que reforçar essa procura são os grandes eventos que vão ocorrer no Brasil, como Copa do Mundo e Olimpíadas, o que também acabam estimulando outros mercados, como de restaurantes”, explica o analista da unidade de atendimento individual aos empreendedor do Sebrae-MG, Wellington Lima.

Para ter uma ideia de como as agências de viagem desembarcaram com força total no mercado mineiro, basta comparar o estudo feito pelo Sebrae-MG. Em 2008 e 2009, a atividade não aparece entre as dez mais demandadas pelos clientes da instituição. No entanto, setores tradicionais como beleza, alimentação e vestuário não deixaram de marcar presença nos três anos, mesmo que alguns tenham caído várias posições, como é o caso do salão de beleza que, em 2008, estava no topo do ranking e, neste ano, ocupa a sétima colocação.

“Negócios que estão relacionados com alimentação, vestuário e beleza despertam mais o interesse dos empreendedores brasileiros. A explicação é simples: as pessoas não deixam de comer, de se vestir e de cuidar da aparência. Mesmo em momentos de crise, os consumidores fazem uma adequação ao orçamento e optam por produtos mais acessíveis. Por exemplo: o pão de salvende mais em momentos de turbulência econômica” , afirma Lima. Para ele, é preciso levar em conta que no empreendedorismo também existem modismos. “Já tivemos o boom da abertura de lan houses e de negócios relacionados ao cultivo do cogumelos”, diz o analista do Sebrae-MG.

Quem investiu em um negócio que está entre os destaques do ano, não se arrepende. Os empresários João Carlos Prado, Márcio Lima e Sérgio Amarante abriram há dois meses uma agência de viagens no Bairro Gutierrez. “É a nossa segunda loja. Se você me perguntar se já tive retorno do investimento, afirmo que não. Mas, se me perguntar se quero abrir uma terceira loja, a resposta é sim, principalmente se achar o ponto ideal”, diz Prado. De acordo com ele, que há 10 anos trabalha com turismo, o mercado de viagens sempre foi promissor. “Ainda mais agora com a facilidade de crédito. Diferente de produtos eletroeletrônicos, o nosso não tem juros, mesmo parcelado em 10 vezes”, compara.

Outra empreendedora que abriu uma agência de viagens em janeiro deste ano, no Bairro Cidade Jardim, foi Marina Almeida Gomes. Formada em turismo e hotelaria e com pós-graduação em administração pela Fundação Getulio Vargas (FGV), ela está otimista. “Comecei com uma funcionária e, dois meses depois, precisar contratar mais uma. De janeiro até este mês, as vendas aumentaram 70%”, declara.

Formado em gastronomia, Bruno Ziviani Mattos, que trabalhou como bancário durante 10 anos, não se intimidou em arregaçar as mangas e abrir uma lanchonete, que desde fevereiro serve pratos feitos, ou seja uniu o útil ao agradável, já restaurantes chamam a atenção dos empreendedores. “Comecei com dez pratos e hoje sirvo 60, aumento de 500% em quatro meses”, comemora lado da mãe Zélia, seu “braço direito” no negócio.