Ajudar o próximo era característica de irmãs que morreram em acidente
“Entreguei para Deus duas filhas do coração”, desabafou a mãe
A saudade descreve com exatidão o sentimento deixado pela morte das itabiranas Sônia e Simony Santiago, em um acidente automobilístico, na manhã do último sábado, 1º de março, na BR-381. A dor é compartilhada por todos que conheceram as irmãs de 31 e 29 anos, respectivamente.
A mãe, Antônia Felipe Santiago, dona de casa e atuante na comunidade, revelou sonhos e desejos das filhas. Segundo ela, o carisma das moças fazia com que a casa ficasse sempre cheia de amigos. Muito queridas por todos, elas alimentavam o gosto por ajudar o próximo. Dona Antônia contou que as irmãs sempre eram atentas aos mais humildes; Sônia chegou a comentar que um de seus sonhos era que as coisas fossem feitas para as pessoas carentes. “Elas clamavam por justiça”, resumiu a mãe.
Uma vizinha que sofre de problemas vasculares nas pernas comentou que Simony sempre disponibilizava tempo para ir à sua casa para ajudar na troca dos curativos. A mãe já perdeu as contas de quantas vezes Sônia a emprestou o carro para trabalhar na campanha do quilo, buscando alimentos para entregar às pessoas carentes cadastradas na Conferência São Vicente de Paulo. “Ela era muito caridosa e sempre me pedia para comprar cestas básicas para dar aos que precisavam, para ela pagar. Ela sempre doava coisas para quem necessitava”.
Sonhos interrompidos
Soninha, como era carinhosamente chamada a mais velha, cursava o 4º ano de Engenharia de Produção na Funcesi e trabalhava na Vale. Simony atuava na mesma empresa que a irmã e ainda fazia curso de cabeleireira. Ela pretendia montar um salão de beleza e depilação em breve. Segundo a mãe, a moça esperava um dinheiro extra para adiantar o início da obra de seu negócio.
De família cruzeirense, as irmãs eram apaixonadas pelo time azul-celeste e faziam brincadeiras com os amigos atleticanos nas redes sociais, quando o rival perdia alguma partida. Além de torcer para o mesmo time, em comum também o amor pelas crianças. “Simony tinha o sonho de casar e ter filho. Ela namorava há quase um ano e já tinha casa pronta, só faltava mobiliar”. Sônia nutria o mesmo desejo. Ela também tinha um apartamento na cidade e queria continuar próxima à família.
Para dona Antônia, as ‘meninas’, como as descreve, só tinham bons predicados, como carinhosas, inteligentes e trabalhadoras. “Agradeço a todos que nos ajudaram, nos deram apoio. O que vai ficar é muito vazio, muita saudade. Entreguei para Deus duas filhas do coração”, desabafou.