Alvo de investigação, Luiz Carlos dispara contra colegas da Câmara de Itabira

Ao longo do discurso na tribuna, Luiz Carlos ampliou o tom das críticas e passou a direcionar acusações contra outros vereadores da Casa

Alvo de investigação, Luiz Carlos dispara contra colegas da Câmara de Itabira
Foto: Guilherme Guerra/DeFato

A sessão ordinária da Câmara Municipal de Itabira desta segunda-feira (25) foi marcada por acusações e discursos acalorados após o vereador Luiz Carlos de Souza, o “Luiz Carlos de Ipoema” (Podemos), ter usado a tribuna para atacar colegas parlamentares enquanto falava sobre o processo político-administrativo que foi aberto contra ele. Tal medida foi instaurada para investigar condutas supostamente incompatíveis com o decoro parlamentar de Luiz Carlos durante quatro fiscalizações, ocorridas em 2025, em órgãos públicos do município. 

No início da sua fala, Luiz Carlos iniciou agradecendo aos três vereadores que votaram contra a abertura do processo: Jordana Madeira (PDT), Ronaldo Capoeira (PRD) e Cidinei Rabelo, o “Didi do Caldo de Cana” (PL). Na visão do parlamentar, ele estaria sendo perseguido por atuar em fiscalizações e denunciar supostas irregularidades no município. 

Na sequência, o vereador exibiu imagens sobre problemas em uma unidade de saúde de Ipoema, obras paralisadas em Itabira e contratos envolvendo a futura Unidade de Atendimento Integrado (UAI) e a contratação do novo painel eletrônico da Câmara Municipal. Segundo Luiz Carlos, os apontamentos já teriam sido encaminhados ao Ministério Público, Tribunal de Contas e outros órgãos de controle

Ao longo do discurso, Luiz Carlos ampliou o tom das críticas e passou a direcionar acusações contra outros vereadores da Casa. O principal alvo foi Rodrigo Alexandre Assis Silva, o “Diguerê” (MDB), presidente da Comissão Processante. Luiz Carlos relembrou episódios envolvendo o parlamentar, citando investigações relacionadas à condução de veículo da Câmara sob efeito de álcool, utilização de diárias e uso de carro oficial.

O vereador também atacou Elias Lima (Solidariedade), acusando o colega de nepotismo por possuir familiares trabalhando na Prefeitura de Itabira e em outras estruturas públicas. Segundo Luiz Carlos, a família do parlamentar estaria “sempre dentro do governo”. Luiz Carlos também falou sobre Heraldo Noronha, mencionando uma acusação relacionada ao uso de diárias parlamentares. De acordo com Luiz, o Tribunal de Contas teria entendido que houve irregularidade e determinado que Heraldo fizesse a devolução de cerca de R$1,9 mil. 

“Para vocês verem, gente, os tipos de vereadores que tem aqui nessa casa. Está me ferrando aqui por causa que eu torno a verdade (sic). Mas eu quero agradecer à população, tanto de Itabira, pessoas de outro estado, outros vereadores que estão me assistindo, que estão me acompanhando e que estão vendo que eu estou aqui para fazer a diferença, para fazer a verdade”, disse. 

Foto: Guilherme Guerra/DeFato

Diguerê rebate acusações e promete condução “íntegra” do processo

Após as declarações de Luiz Carlos, Rodrigo Diguerê rebateu as acusações e passou a defender a condução da Comissão Processante, afirmando que não possui interesse pessoal na cassação ou absolvição do colega e garantindo que o procedimento será conduzido com respeito, direito ao contraditório e ampla defesa. “Para mim, isso é indiferente, a denúncia não partiu de mim, mas você conta com o meu respeito para você apresentar o seu contraditório, sua ampla defesa, e o processo seguirá com todo o trâmite e rigor e respeito à sua pessoa”, afirmou.

Rodrigo Diguerê seguiu dizendo que reconhecia o trabalho de Luiz e não entraria em “mérito de questões processuais”. “Se você fizer a sua defesa e for contento, você vai ter o resultado que deve ser, que merecer. E, se não conseguir demonstrar, também você vai ser apreciado pelo plenário que não sou eu detentor da sua cassação ou não”, disse. O parlamentar também afirmou que esta é a segunda vez que Luiz Carlos utiliza processos antigos para atacá-lo publicamente. Segundo Diguerê, os casos envolvendo seu nome são públicos, mas Luiz Carlos mencionaria apenas os processos ainda em andamento, ignorando aqueles em que ele foi absolvido. 

Ainda em sua fala, o vereador do MDB (antigo partido de Luiz Carlos) reconheceu o episódio em que foi acusado de dirigir alcoolizado um veículo da Câmara Municipal e se envolver em um acidente, mas afirmou que responde judicialmente ao caso “com humildade” e ressaltou que, mesmo após o episódio, foi reeleito pela população em dois mandatos. “Ninguém bate um carro porque quer. Se eu tivesse batido da forma que bati, eu poderia nem estar aqui”, afirmou.

Para finalizar a resposta, o vereador ainda sugeriu que Luiz Carlos concentrasse sua estratégia na defesa dentro do processo investigatório, e não em ataques aos colegas parlamentares.

“Já esperava que a sua estratégia de defesa fosse o ataque, e aí fico me perguntando: imagina se não fosse eu o sorteado, se fosse um colega de primeiro mandato, que às vezes não tem nenhuma mancha jurídica, não teve nenhum problema. Como é que você iria se embasar nisso para fazer a sua defesa, que é o mais importante?“, completou.

Cassação não está definida, ponderam vereadores

A discussão também motivou manifestações de outros parlamentares. Bernardo Rosa (PSB) afirmou que a Câmara apenas cumpriu o rito legal ao aceitar a denúncia e destacou que o procedimento ainda está em fase de investigação. “Ninguém está falando aqui em cassação. Nós estamos falando de investigação”, declarou.

O vereador Marcelino Guedes (PSB), também reforçou que nenhum vereador possui voto definido sobre uma eventual cassação e afirmou que a comissão terá cerca de três meses para conduzir os trabalhos e apresentar um relatório final ao plenário.