Câmara de Itabira: comissão processante terá 90 dias para concluir apuração contra Luiz Carlos de Ipoema

Escolhido presidente da comissão, Rodrigo Diguerê afirmou que, até o momento, não vê elementos para classificar o caso como perseguição política

Câmara de Itabira: comissão processante terá 90 dias para concluir apuração contra Luiz Carlos de Ipoema
Foto: Guilherme Guerra/DeFato

Após aprovar a abertura de um processo político-administrativo que pode resultar na cassação do mandato do vereador Luiz Carlos Henrique de Souza “Luiz Carlos de Ipoema” (Podemos), a Câmara Municipal de Itabira também definiu ontem (18), a montagem da comissão processante que irá apurar as denúncias contra o parlamentar, que supostamente teria adotado condutas “abusivas, vexatórias e incompatíveis com o decoro parlamentar” em fiscalizações e abordagens realizadas em unidades de saúde e órgãos públicos do município. A denúncia cita quatro episódios envolvendo servidores públicos municipais ao longo de 2025, registrados em boletins de ocorrência e encaminhados ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). 

Desta forma, foi definido por sorteio que a comissão processante será presidida pelo vereador Rodrigo Alexandre Assis Silva “Diguerê” (MDB), tendo como relator Reinaldo Soares de Lacerda (PSB) e o vereador Cidinei Camilo Rabelo “Didi do Caldo de Cana” (PL) como vogal. O processo seguirá o rito previsto no Decreto-Lei 201/1967. Após a notificação oficial do parlamentar, a comissão terá prazo de até 90 dias para ouvir testemunhas, analisar documentos e emitir parecer que será levado ao plenário da Câmara.

Escolhido presidente da comissão, Rodrigo Diguerê afirmou que o grupo terá a responsabilidade de conduzir o procedimento e elaborar um relatório final que será submetido ao plenário da Câmara. “A função de uma comissão processante nada mais é do que dar andamento a um procedimento, respeitar o contraditório, trazer as questões jurídicas que envolvem a suposta denúncia e ao final emitir um relatório”, declarou. 

Segundo ele, o trabalho será conduzido “com muita seriedade”, garantindo ao vereador denunciado espaço para exercer sua defesa. “Vamos dar a ele todo o respeito e espaço para fazer a sua defesa e tomar as decisões a partir de conclusões práticas”, afirmou.

O presidente da comissão também destacou que o relatório final não determina, por si só, eventual cassação do mandato, já que a decisão caberá ao plenário da Câmara. “Quem define por uma cassação ou não, ainda sobrepondo o relatório da comissão, é o plenário, através de dois terços dos votos”, explicou.

Diguerê ainda afirmou que, até o momento, não vê elementos para classificar o caso como perseguição política. Segundo ele, a denúncia foi apresentada por uma cidadã e envolve fatos registrados anteriormente em boletins de ocorrência e outros procedimentos.

“Não foi nenhum parlamentar que levantou essa denúncia aqui em plenário. Não acredito que tenha relação com política nesse primeiro momento para atrapalhar ou beneficiar alguma parte”, disse.

Relator fala em “máxima transparência”

Escolhido relator da comissão, Reinaldo Lacerda (PSB) afirmou que os trabalhos serão conduzidos com transparência e dentro do que prevê a legislação. “A gente vai fazer a condução do trabalho com a maior transparência possível”, declarou.

Segundo o vereador, a comissão deverá garantir amplo espaço para a defesa do parlamentar investigado durante todas as etapas do processo. “Então eu digo lá para a defesa: o trabalho tem que ser feito com muita transparência para não ficar nada entre linhas”, afirmou.

Reinaldo também ressaltou que a abertura da comissão atende a um pedido encaminhado pelo Ministério Público de Minas Gerais e que o Legislativo tem o dever de apurar os fatos apresentados. “Foi o pedido do Ministério Público. Essa Casa não pode se omitir, deve averiguar”, declarou.