Anvisa amplia ações e busca antídoto internacional contra intoxicação por metanol; saiba mais
A Agência afirma que seguirá atualizando a população e as autoridades competentes sobre as medidas adotadas para conter o risco à saúde pública

O avanço dos casos de intoxicação por bebidas adulteradas com metanol levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a adotar medidas emergenciais em parceria com o Ministério da Saúde e outros órgãos do governo federal. Entre as iniciativas, está a busca internacional pelo Fomepizol, medicamento considerado o antídoto mais eficaz para o tratamento desses casos.
Fomepizol: prioridade internacional
Como o remédio não possui registro no Brasil, a Anvisa acionou formalmente autoridades reguladoras de diversos países, como Estados Unidos, União Europeia , Canadá , Japão , Austrália , Argentina, México e Suíça, para verificar a disponibilidade do produto.
Paralelamente, a Agência publicou o Edital de Chamamento Internacional nº 17/2025, que será divulgado no Diário Oficial da União, para identificar fabricantes e distribuidores que possam fornecer o medicamento de forma imediata ao Ministério da Saúde. A medida atende a um ofício de urgência enviado pela pasta.
Situação atual no Brasil
De acordo com o Ministério da Saúde, já são 11 casos confirmados de intoxicação por metanol e outros 48 em investigação. O metanol é um álcool industrial altamente tóxico, proibido em bebidas destinadas ao consumo humano, mas criminosos o utilizam por ser mais barato, aumentando ilegalmente o rendimento da produção.
Quando ingerido, o metanol se transforma em compostos nocivos que podem causar náusea, dor abdominal, vômito, alterações na visão, cegueira irreversível, danos neurológicos e, em altas doses, a morte.
Autoridades de saúde alertam que qualquer pessoa que, entre 12 e 24 horas após o consumo de bebidas alcoólicas, apresente sintomas como embriaguez prolongada, desconforto gástrico ou distúrbios visuais deve procurar atendimento médico imediato.
Alternativas emergenciais
Enquanto o Fomepizol não chega, a Anvisa trabalha na identificação de farmácias de manipulação e laboratórios farmacêuticos capazes de produzir etanol grau farmacêutico, alternativa terapêutica já utilizada em hospitais. Um levantamento nacional apontou 604 farmácias aptas a preparar a substância de forma estéril, caso o Ministério da Saúde aprove a estratégia.
Fiscalização e suporte técnico
Desde a última semana, a Anvisa participa da Sala de Situação sobre metanol instalada pelo Governo Federal. O órgão também apoia as Vigilâncias Sanitárias locais nas investigações em curso. Nesta quinta-feira (2), agentes participaram de ações de campo em parceria com a Vigilância Sanitária do Distrito Federal.
lém disso, a Agência articula com a Rede Nacional de Laboratórios de Vigilância Sanitária (RNLVISA) para garantir a análise de amostras suspeitas de bebidas adulteradas. Três laboratórios já foram designados para o processo: Lacen/DF, Laboratório Municipal de São Paulo e INCQS/Fiocruz. Há ainda tratativas com o Ministério da Justiça e o Ministério da Agricultura para ampliar a capacidade de testagem.
Rede de apoio e orientação
O país conta com 32 Centros de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox), que oferecem suporte clínico e diagnóstico a profissionais de saúde. Desses, 13 integram o Disque-Intoxicação (0800-722-6001), serviço nacional que redireciona a ligação ao centro mais próximo para orientações emergenciais de primeiros socorros até a chegada do paciente ao hospital.
A lista completa dos centros vinculados à Associação Brasileira de Centros de Informação e Assistência Toxicológica (Abracit) pode ser consultada em abracit.org.br
Papel do consumidor e dos estabelecimentos
A Anvisa reforça que algumas atribuições cabem a outros órgãos. O Ministério da Agricultura é responsável pela regulamentação e fiscalização do processo de produção de bebidas, enquanto a Agência Nacional do Petróleo (ANP) controla a importação e distribuição do metanol.
Como o produto não possui odor, cor ou sabor característico, a identificação só pode ser feita em laboratório. Por isso, a recomendação é que estabelecimentos comerciais denunciem suspeitas e sigam as orientações das Vigilâncias Sanitárias locais.
A Agência afirma que seguirá atualizando a população e as autoridades competentes sobre as medidas adotadas para conter o risco à saúde pública.