Banda larga é cara, lenta e restrita a poucos no Brasil, revela Ipea
ARCELO PRATES Brasil corre o risco de ficar para trás no ranking das TICs O serviço de Internet banda larga no Brasil é caro, tem baixa velocidade e pequena taxa de penetração nos domicílios e municípios. A conclusão é de levantamento divulgado nesta segunda-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que apontou […]
ARCELO PRATES

Brasil corre o risco de ficar para trás no ranking das TICs
O serviço de Internet banda larga no Brasil é caro, tem baixa velocidade e pequena taxa de penetração nos domicílios e municípios. A conclusão é de levantamento divulgado nesta segunda-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que apontou que, no fim de 2008, de um total de 57, 7 milhões de domicílios, 20,8%, ou 11,9 milhões, tinham acesso à Internet.
Para o Ipea, o Brasil corre o risco de ficar para trás no ranking de utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), caso o setor não receba um impulso do Governo na forma de redução de impostos, mudança regulatória que incentive a competição e investimento público em regiões que não são comercialmente atrativas.
Em Minas Gerais, o acesso rápido chega a 1,2 milhão de domicílios, de um total de 6,1 milhões, com taxa de penetração de 19,8%. O índice fica abaixo da média nacional de 20,8%. É também o pior da Região Sudeste – São Paulo tem taxa de 29,4%, Espírito Santo tem 27,6%, e Rio de Janeiro tem 25,1%.
Ao analisar o acesso dos municípios à Internet banda larga, o Ipea constatou que Minas Gerais também fica abaixo da média nacional e, de novo, na lanterna da Região Sudeste. O Estado tem 853 municípios e, destes, 321, ou 37,6%, com acesso à banda larga. A média nacional é de 46,6%, com 2.593 municípios atendidos pelo serviço, em um total de 5.565.
No que diz respeito ao custo do serviço, o Ipea citou dados da União Internacional de Telecomunicações (UIT) que indicam que, em 2009, o gasto médio com banda larga do brasileiro correspondia a 4,58% da renda mensal per capita. Na Rússia, a despesa chega a 1,68% da renda per capita, enquanto que nos países desenvolvidos gira em cerca de 0,5%.
Luís Cláudio Kubota, técnico do Ipea que apresentou o estudo, ressaltou que, em países como o Brasil, mesmo com uma regulamentação adequada, sempre haverá uma parcela da população que não será atendida, seja por deficiência de renda para pagar pelo serviço, seja por morar em regiões afastadas.
Ele apontou que o Distrito Federal, que tem maior nível de renda, apresenta o melhor índice de acessos de banda larga do país. Lá, 51,2% dos domicílios, ou 386.700 de um total de 755 mil, têm Internet rápida. Na outra ponta, menos de 10% dos municípios de Alagoas, Amazonas, Amapá, Maranhão, Pará, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e Roraima têm acesso à Internet banda larga.
Conforme os técnicos do Ipea, uma das causas do fenômeno de baixa disseminação da Internet banda larga é a concentração do serviço. É que as empresas preferem operar em regiões onde os custos de instalação são menores e onde a população tem renda mais elevada, o que melhora a rentabilidade da operação.
Outro ponto destacado pelos técnicos do Ipea é a baixa velocidade dos acessos. Conforme o levantamento, 34% dos usuários navegam a 256 kbps, o que não é considerado banda larga pelos padrões da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Para 19% dos internautas brasileiros, o acesso ainda se dá por linhas discadas.
Para contornar o déficit brasileiro no acesso à internet rápida, o Ipea recomenda o estabelecimento de um marco regulatório que incentive a competição entre as empresas privadas, ao mesmo tempo em que o Estado investiria diretamente na implantação de redes em regiões não atendidas. A redução de impostos também foi apontada como forma de reduzir preços. “Independentemente de ser estatal ou não, o que precisamos é de promover a competição”, ressalvou o técnico João Maria de Oliveira.
Para o presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude, o diagnóstico e as soluções indicados pelo Ipea estão corretos. Ele destaca que a expansão da Internet rápida vai depender de investimentos e incentivos governamentais, pois será preciso implantar redes de fibras óticas para atingir velocidades de até 100 mbps. “Os outros países já acordaram e estão fazendo investimentos pesados”, diz, lembrando os casos dos EUA e da Austrália.
O professor de Redes IP do Instituto Nacional de Telecomunicações, de Santa Rita do Sapucaí, Bruno Soares Henriques, acrescenta que o Plano Nacional de Banda Larga, em elaboração no Governo federal, poderá impulsionar a Internet brasileira. “O país está ficando para trás”, adverte.