Caeté vive otimismo com projeto de US$ 2,4 bi da Vale
Uma repentina procura de pequenas empresas interessadas em sair da informalidade mudou o ritmo de trabalho nos últimos três meses do escritório de contabilidade de Wilson Teixeira, instalado no Centro de Caeté, cidade histórica da Grande Belo Horizonte que há mais de uma década tenta, sem sucesso, partir para um novo ciclo de desenvolvimento econômico. […]
Na comunidade histórica de Morro Vermelho, em Caeté, a mesma esperança de expansão da economia levou moradores a voltar à escola em busca de formação técnica profissional para disputar novos empregos. Há 25 anos no distrito conhecido pelo patrimônio de suas igrejas de mais de 300 anos, o rico folclore e a beleza de cachoeiras e cavernas intocadas, o comerciante Gerhart Martins Schmidt diz que a mineração sustentável é considerada uma saída para a comunidade vencer as dificuldades de transformar o próprio turismo numa fonte de renda e emprego.
“Os ônibus com os turistas não encaram as nossas estradas, que estão em péssimas condições, e temos problemas de abastecimento de água. Jovens que saíram daqui para trabalhar até na Bahia e no Maranhão querem voltar, mas não encontram emprego aqui”, afirma Schmidt. Administrador do distrito, Gerhart e outras lideranças da comunidade já se reuniram com técnicos da Vale. A expectativa é de que o acesso por estradas de terra a Morro Vermelho melhore, da mesma forma que as condições de recepção ao turista, permitindo à comunidade explorar a atividade.
A Vale apresenta oficialmente nesta quinta em Caeté e Santa Bárbara, e na sexta em Raposos e Rio Acima, as informações sobre o investimento, os detalhes do estudo de impacto ambiental e as medidas para controlar os impactos da mineração na região. Serão duas audiências públicas como parte do processo de licenciamento ambiental. A companhia informou que só depois da autorização dos órgãos ambientais vai se pronunciar sobre o cronograma previsto de implantação. A preocupação de um grande número de organizações não governamentais é com a preservação da biodiversidade e os mananciais de água da região.
A Serra do Gandarela é um divisor entre as bacias hidrográficas do Rio das Velhas e do São Francisco e dos rios Doce e Piracicaba. Tem remanescentes importantes de vegetação característica de mata atlântica e do cerrado. Marcus Vinicius Polignano, coordenador estadual do Projeto Manuelzão, da UFMG, compara a região a um grande queijo suíço, pontilhado de nascentes que abastece os dois sistemas de recursos hidrícos. “É uma área que faz parte da história cultural e ambiental do estado”, diz. O prefeito de Caeté, Ademir da Costa Carvalho, afirma que o volume e a qualidade dos mananciais de água serão mantidos, da mesma forma que as cachoeiras de Santo Antônio, Chuvisco, Grande e Maquiné. “Teremos de reformular o nosso plano diretor, com todo o respeito ao meio ambiente, para não perdermos uma oportunidade de crescimento como esta”, afirma.