Caixa vazio ameaça pagamento do 13º salário em prefeituras mineiras
O pagamento do 13º salário para servidores das prefeituras de Minas Gerais está ameaçado em algumas regiões do estado. Sem dinheiro em caixa – e com previsão nada positiva até o fim do ano –, muitos prefeitos temem não ter recurso suficiente para quitar o abono natalino do funcionalismo. A luz no fim do túnel […]
Com esse dinheiro, pelo menos parte do benefício estaria garantida. “Muitos prefeitos se viram com esses recursos e pagam em dia”, afirmou o presidente da Associação Mineira dos Municípios (AMM), José Milton (PSDB), prefeito de Conselheiro Lafaiete. De acordo com ele, a partir desta semana, a entidade começa um monitoramento sobre a situação financeira das cidades de Minas Gerais, mas ele acredita que o percentual daquelas que não vão pagar o abono não ultrapasse os 20%.
Em alguns casos, segundo José Milton, as prefeituras têm optado por não quitar débitos com fornecedores este mês e dezembro para fazer caixa. Em outros, o corte no custeio e no número de funcionários contratados tem sido a alternativa para economizar gastos. Um exemplo é Jenipapo de Minas, no Vale do Jequitinhonha, comandada por Márlio Geraldo Costa (PDT). “Se as transferências constitucionais não aumentarem, vai ser difícil pagar o 13º salário”, lamentou.
Vice-presidente da Associação dos Municípios do Médio Jequitinhonha (Ameje) – que tem a filiação de 12 das 16 cidades da microrregião –, Márlio disse que o caos financeiro é geral. Segundo ele, a dificuldade envolve até mesmo a folha mensal. Em Jenipapo de Minas, são 281 servidores que custam R$ 189 mil mensais. A receita do município não ultrapassa os R$ 300 mil mensais, a maior parte originada do repasse do FPM.
![]() |
|
| Para o presidente da AMM, José Milton, muitos prefeitos usarão parcelas do FPM para quitar a d[ivida |
No Norte de Minas, onde estão localizados alguns dos municípios mais carentes do estado, 80% enfrentarão dificuldades para pagar o 13º, de acordo com estimativa da Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (Amans). “O FPM tem um valor muito aquém do que precisa. Tem alguns municípios que nunca atrasaram o 13º salário, mas já ouvi dizer que este ano, talvez vão atrasar o pagamento”, disse a secretária-executiva da Amans, Beatriz Morais. Ela afirmou ainda que espera para os próximos dias uma orientação da AMM sobre a questão.
Velho problema
Não é de hoje que os prefeitos reclamam para pagar o 13º salário. No entanto, segundo o presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, a cada ano, mais cidades estão conseguindo quitar em dia o benefício natalino. A meta, é zerar a inadimplência. Além de os servidores representarem a maior parcela da população assalariada em grande parte das cidades, a Lei de Responsabilidade Fiscal pune aqueles que não arcarem com os seus compromissos financeiros.
Ziulkoski afirmou que ainda é cedo para fazer uma previsão em relação ao pagamento do 13º salário neste ano. Segundo ele, a CNM está começando a fazer o levantamento sobre quais prefeituras terão ou não condições de quitar o benefício. “O estudo depende da arrecadação dos municípios em novembro”, disse. De acordo com levantamento realizado pela confederação no ano passado, 4,8% dos prefeitos ouvidos no país (92,2% foram entrevistados) disseram que atrasariam o pagamento.
A entidade considerou o índice negativo na época. Segundo a CNM, a crise financeira mundial interrompeu uma trajetória de redução da inadimplência. O estudo ainda mostrou que 95,7% dos municípios estavam com o pagamento do salário do funcionalismo em dia e que o 13º injetou R$ 7 bilhões na economia no período. (Com Alice Maciel)
