Coletivos culturais ganham espaço em Itabira e mostram alternativas de viver de arte
Mário Brito, Carlos Cabeça e Juninho Ibituruna, da esquerda para a direita
Os coletivos culturais se popularizaram nos últimos 10 anos e, em geral, eles são compostos por pessoas que organizam atividades culturais. Em Itabira, Mário Brito, do Casa de Jah; Carlos Cabeça, do Arredaí; e Juninho Ibituruna atuam na cidade com seus coletivos culturais.
Mário, Carlos e Juninho estão na cena musical da cidade há mais de cinco anos e contaram estar sempre envolvidos ou influenciados por ações de outros coletivos culturais. “Naturalmente a gente já fazia coisas coletivas, a gente só não tinha um título como coletivo”, salientou Juninho Ibituruna, músico nascido em Governador Valadares.
O Arredaí é um grupo que organiza intervenções em praças com foco em cidadania e sustentabilidade. O coletivo, que também promoverá evento este mês (ainda a ser divulgado), nasceu da vivência que Carlos Cabeça teve enquanto morou no Rio Grande do Sul. Ele, que já trabalhava com música, contou que tratou de criar um CNPJ para o coletivo facilitando o acesso a editais de financiamento.
A Casa de Jah começou em 2012, depois de Mário Brito e Paulo Pessoa “Cebola”, morarem juntos. Mário Brito contou que ambos pesquisavam sobre música jamaicana. E, aos poucos foram se envolvendo em eventos ou mesmo os promovendo. O coletivo itabirano tem forte influência do DeSkaReggae Sound System, grupo belo horizontino, criado em 2011, inspirado nos sistemas de som que se tornaram popular na Jamaica nos anos de 1950, com o qual mantém constante contato.
Efervescência artística
Sobre a participação nas intervenções e as formas de obter recursos, os três concordaram haver uma efervescência artística que esbarra na geração de renda. Segundo eles, a interação com outras iniciativas como a bateria Calangodum, o grupo Latrupe e com pessoas que atuam na cena do Rap, a exemplo do coletivo O Cardume, é facilitada. De modo geral, cada coletivo participa de boa vontade nas iniciativas uns dos outros, contam eles.
Juninho Ibituruna, Carlos Cabeça e Mário Brito também convergem ao falar sobre a captação de verba. “A expectativa é que venha através de editais do poder público e de iniciativa privada, mas isso num futuro”, explica Carlos Cabeça. Sem citar os valores, os três concordam que, atualmente, as intervenções têm alcançado apenas um “empate” nos gastos através da venda de bebidas e de “passar o chapéu”.
Fernando Sampaio, que contribui com a parte visual das iniciativas, ressaltou o papel dos patrocínios e a “surpreendente” receptividade do comércio com o marketing cultural. “A gente nem sabia dessa abertura, chegamos para pedir apoio no comércio e a resposta era: é claro eu sei que vocês estão fazendo”, exemplificou Juninho Ibituruna. Para eles, o ganho ainda se concentra na parte de produção cultural, mas permite outras formas de se pensar formas de viver de arte.