Com projeto do governo, gás natural chegará a Itabira a custo mais baixo
Fermag, que já trabalha com gás natural, foi carro-chefe do projeto
Ainda não é um gasoduto, mas a notícia é boa para a indústria de Itabira. O Governo de Minas anunciou, no dia 31 de julho, que a partir do ano que vem a cidade começará a ser beneficiada com o Gás Natural Comprimido (GNC), fornecido diretamente pela Gasmig. A primeira empresa a integrar o projeto é a Fermag, que já trabalha com gás natural há cerca de seis anos.
A licitação já foi concluída e o processo vai funcionar da seguinte maneira: uma base de compressão será construída nas imediações de Ipatinga, de onde o produto seguirá de caminhão para Itabira e Governador Valadares, cidade que também será beneficiada. A Logas é a empresa responsável pela compressão e transporte do produto até os clientes. Cerca de R$ 4 milhões serão investidos.
O início do fornecimento de GNC para os dois municípios está previsto para janeiro de 2013. De acordo com o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Raymundo Nonato Moreira, a iniciativa foi da prefeitura, que se reuniu com a Gasmig e apresentou os potenciais consumidores do município. Alguns empresários, entre eles o gerente geral da Fermag, Arnaldo Batista Ribeiro, participaram das discussões.
Arnaldo afirmou que sua empresa firmou um compromisso com a Gasmig de consumir 130 mil m³ de gás natural por mês, quantidade que a fábrica usa atualmente, só que a um custo mais alto. “Hoje adquirimos o gás de uma empresa de Belo Horizonte, que compra da Gasmig. Será a mesma coisa, só que compraremos direto, então o preço cairá”, explica o empresário.
A expectativa é que o custo com combustível, que hoje gira em torno de R$ 200 mil por mês, caia de 8% a 10% com a implantação do projeto. Se fosse um gasoduto, a redução seria ainda maior: no mínimo 20%. Embora seja um anseio dos empresários do setor industrial, segundo Nonato, a Gasmig não identificou demanda em Itabira que justifique os investimentos em um gasoduto.
Os empresários lamentam. “O gasoduto passou em Rio Piracicaba, perto de Itabira. Poderia ter passado aqui”, reclama o gerente geral da Fermag. Segundo ele, todos os dias uma carreta traz o gás natural da capital à sede de sua empresa, mas às vezes acidentes nas estradas – principalmente na BR-381 – atrasam a viagem e comprometem a produção. Para evitar prejuízos, a Fermag tem uma reserva de gás para casos emergenciais, chamada de pulmão, que dura até 12 horas. Mas nem sempre é o suficiente.
“Precisamos de melhores estradas de acesso a Itabira. Estamos longe, por exemplo, da Fernão Dias, principal eixo Minas-São Paulo”, afirma o diretor, se referindo aos gargalos da infraestrutura. Para Arnaldo, Itabira precisaria de, pelo menos, mais 30 empresas do porte da sua. “Assim ficaríamos menos dependentes da Vale”, disse.
Produtos
Além dos imantados, a Fermag produz também peças de geladeira, vendidas para as Américas e Europa; comercializa óxido de ferro para pequenas metalurgias; e em breve colocará em funcionamento uma fábrica no Distrito Industrial que produzirá manta acústica para automóveis. Há 38 anos no mercado, a companhia emprega 190 pessoas e tem previsão de aumentar o faturamento em 20%, com o novo investimento.