DeFato entrevista o vice-governador de Minas Gerais, Alberto Pinto Coelho

Alberto Pinto Coelho, vice-governador de Minas Gerais

DeFato entrevista o vice-governador de Minas Gerais, Alberto Pinto Coelho

 

Na edição especial de 20 anos, DeFato entrevistou o vice-governador de Minas Gerais, Alberto Pinto Coelho (PP), um grande parceiro e incentivador da revista. Natural de Rio Verde (GO), Alberto tem 67 anos, é filho do professor e advogado militante Dr. Alberto Pinto Coelho, de Manhuaçu, e de Abigail, professora natural de São Domingos do Prata.
 
O vice-governador é graduado em Administração de Empresas e tem 30 anos de experiência no setor de telecomunicações, sendo 27 em gestão de empresa estatal. Ocupou cargos de alta gerência e de diretoria nas áreas de gestão administrativa, comercial, planejamento operacional e de marketing. Foi representante do Ministério das Comunicações em Minas Gerais e comandou o Dentel-MG.
 
Seus primeiros passos na política foram orientados pelo saudoso embaixador José Aparecido de Oliveira, natural de São Sebastiao do Rio Preto. Em Minas Gerais, conseguiu o mesmo cargo que o pai alcançou em Goiás: a presidência da Assembleia Legislativa. Alberto Pinto Coelho assumiu também a presidência do Colegiado de Presidentes das Assembleias Legislativas do Brasil.
 
Na entrevista a seguir, o vice-governador responde perguntas sobre diversificação econômica, investimento do Estado em infraestrutura e logística, Plano Regional Estratégico (para as cidades mineradoras) e representatividade política. “Não há tarefa mais nobre do que servir à coletividade”, diz.
 
Vivendo basicamente da mineração, algumas cidades do interior de Minas debatem há décadas a diversificação econômica. Como o Estado vem lidando com esta questão?
Essa é uma grande preocupação de Minas Gerais e um dos objetivos que norteiam o nosso governo: a diversificação da economia. Nós temos o minério, o aço e o café, que são produtos que estão na base da nossa economia e merecem o permanente cuidado para ampliarmos o desenvolvimento destes setores. Mas, por outro lado, o governo não tem medido esforços para atrair novas empresas com outros perfis econômicos. Como exemplos recentes, temos a vinda da Six, uma empresa de semi-condutores, que escolheu Minas Gerais para abrigar sua primeira indústria. Cito também a volta da fabricação da insulina; a nova fábrica da Panasonic; a ampliação da produção da AmBev; a Helibrás; a fabricação de locomotivas pela Electro-Motive Diesel (EMD), subsidiária da Progress Rail Services, empresa do grupo norte-americano Caterpillar; as fábricas da Alpargatas e da New Holland, em Montes Claros. Como é possível observar, essa diversificação da economia está também muito ligada à tecnologia do conhecimento, o que gera também investimentos em educação e na formação dos nossos jovens para um novo mercado de trabalho. 
 
Qual a importância dos investimentos em programas de pavimentação rodoviária (Caminhos de Minas, ProAcesso, Pro/MG, etc.) dos governos Aécio e Anastasia?
Se a ONU elegeu 2011/2020 a década de Ação para a Segurança Rodoviária, podemos afirmar que o período entre 2003 e 2012, em Minas Gerais, tem representado, em escala regional, através dos governos Aécio e Anastasia, a década da formação de uma nova e moderna rede viária, com três programas principais em execução. Desde 2004, através do programa chamado ProAcesso, foram implantados mais de cinco mil quilômetros de vias pavimentadas, com investimentos de R$3,6 bilhões. O Pro/MG, por sua vez, é um moderno instrumento de gestão que promove constantemente o acompanhamento e a fiscalização dos serviços prestados por terceiros, visando assegurar aos usuários condições satisfatórias de segurança e trafegabilidade. Já o programa denominado Caminhos de Minas, constitui o maior programa rodoviário da história de Minas Gerais. Prevê a implantação de quase 8 mil  novos quilômetros de rodovias, beneficiando diretamente 303 municípios e 7,3 milhões de mineiros. Trata-se ainda de um programa de forte repercussão social, promovendo o acesso de transporte a regiões e municípios. Esses inovadores programas viários visam não só o cidadão – que antes enfrentavam estradas de terra para chegarem a um hospital ou às escolas e faculdades – mas são também catalisadores da economia regional e estadual. Ter estradas em boas condições de tráfego reduz as despesas com o transporte de mercadorias, insumos e implementos. Além disso, a população passa a contar com produtos de melhor qualidade e a  preços mais competitivos. 
 
O Brasil ainda enfrenta grandes gargalos em infraestrutura. Minas Gerais saiu na frente?
Seguramente podemos afirmar que sim. Para entender ainda mais este avanço, é preciso lembrar que a extensão territorial do Estado representa 7% do território brasileiro, o que significa a soma da extensão da França e da Bélgica, por exemplo. A posição geográfica privilegiada, próxima a 78% do mercado consumidor brasileiro, confere ao Estado grande importância econômica. Além dos nossos investimentos viários, há também o desenvolvimento em outras áreas que se referem à infraestrutura. Há em nosso estado 92 aeroportos homologados e em operação. São 10,2 milhões de passageiros por ano. A expectativa é de que até 2013 a capacidade aumente para 16,5 milhões. Temos ainda cinco portos secos (Betim, Uberlândia, Uberaba, Varginha, Juiz de Fora). Ainda na questão viária destaco que Minas Gerais foi o primeiro estado a ter uma rodovia operando pelo modelo de PPP (Parceria Público Privada), a MG-050.  As PPP’s são modelos de gestão onde o setor público e o setor privado realizam investimentos em parceria, associando eficiência privada e visão pública de longo prazo. O Estado tem de ser, sobretudo, eficiente. O Estado adequado é aquele que tem capacidade e agilidade para construir parcerias e para enfrentar de forma adequada os desafios que temos pela frente. E é esta gestão moderna que levou Minas Gerais a receber, em 2012, o prêmio de melhor programa de Parcerias Público Privadas do mundo da revista britânica “World Finance”, internacionalmente reconhecida. Em seguida, a agência de classificação de riscos norte-americana Standard & Poor’s indicou o estado e o BDMG (Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais) ao elevado status de “investiment grade”, o grau de investimento mundial que expressa reconhecimento a uma gestão fiscal prudente e transparente e a um sólido desempenho financeiro. Em dezembro, a Moody´s Investors Service, outra renomada agência internacional de classificação de riscos, também premiou o estado pela manutenção do equilíbrio de suas contas públicas. Em suma, Minas tem localização estratégica, infraestrutura dinamizadora, oferta segura de energia, educação e qualificação profissional, gestão pública eficiente e moderna. Estes são fatores decisivos no momento de investir, e que tem como objetivo permanente a melhoria de vida do cidadão.  
 
Que outros obstáculos precisam ser superados dentro do contexto de infraestrutura e logística?
Investir em logística tornou-se, no mercado globalizado de nossos dias, a chave de abertura e de segurança do mercado internacional. Em agosto do ano passado tive a oportunidade de participar da inauguração do Terminal da VLI- Empresa Logística do Grupo Vale, em Araguari, um dos maiores terminais de transbordo da América Latina.  A estrutura do novo terminal aumentará a capacidade de escoamento para os produtores brasileiros a partir da integração com a malha ferroviária, que é de competência do governo federal. É preciso, portanto, que o Brasil retome, de fato, o investimento na modernização das ferrovias. O governo federal anunciou no ano passado um pacote de concessão para rodovias e ferrovias. A ideia é utilizar o mecanismo que de forma pioneira, como disse, lançamos em Minas, as PPP’s . O governo federal reconheceu e assumiu que se trata de um grande avanço conceder à iniciativa privada a construção e operação de rodovias e ferrovias para progredirmos para uma nova etapa, que significa por um lado restabelecer a capacidade de planejamento integrado do sistema de transportes – ferroviário, rodoviário, hidroviário, portuário e aeroportos, e ao mesmo tempo garantir articulação com as cadeias produtivas.