Demanda por crédito cresce entre mais ricos e mais pobres
A disputa pela oferta de crédito no país está em lados opostos, ou seja, se concentra nos dois extremos da pirâmide social. Consumidores que ganham até R$ 500 por mês responderam por 30,5% da procura por dinheiro no Brasil nos sete primeiros meses de 2010 e estão no topo do ranking, seguidos por trabalhadores com […]
De acordo com o gerente de Indicadores de Mercado da instituição, Luiz Rabi, a alta era esperada para julho, já que no mês anterior a Copa do Mundo foi a grande responsável pelo recuo na procura por crédito no país. “Essa recuperação é natural e o que ocorreu foi uma reação”, diz o analista. No terceiro trimestre, os consumidores deverão voltar a buscar o crédito, mas em um ritmo mais lento do que o registrado até junho deste ano. “Sem os incentivos fiscais, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e com a renda mais comprometida devido aos financiamentos adquiridos no primeiro semestre, a velocidade dos consumidores ao crédito deve ser mais lenta”, afirma Rabi.
Por outro lado, as camadas sociais mais altas sempre tiveram mais possibilidade de conseguir crédito e, historicamente, se arriscam mais. “Quem ganha acima de R$ 10 mil é mais propenso a assumir riscos e financiamentos, pois, se ocorrer alguma crise , eles normalmente têm aplicações e conseguem cobrir prejuízos”, afirma Rabi. De acordo com o indicador da Serasa, trabalhadores com rendimento mensal acima de R$ 10 mil aumentaram a procura por crédito em 7,2% no mês passado frente a junho (2,6%). Na camada em que o salário fica entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, a elevação foi de 7,7%.
Acostumado a conceder crédito para trabalhadores que ganham entre R$ 11 e R$ 12 mil, o gerente executivo da Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Integrantes do Poder Judiciário da União e do Ministério Público da União (MPU) em Minas Gerais (Coopjus), Igor Miranda, afirma que a procura por dinheiro aumentou 37,5% no primeiro semestre deste ano em relação a igual período de 2010. “Pedidos de solicitação (de crédito) têm crescido bastante e, mesmo no ano passado, não retrocedeu. Nós que tivemos que restringir a oferta por causa da crise”, explica.
Segundo Miranda, o valor médio mensal solicitado por associados da Coopjus gira em torno de R$ 2 milhões. A grande maioria dos empréstimos – 95% – é feito via consignado. A média de volume pedido por tomador é de R$ 13 mil, mas o limite estipulado pela cooperativa chega a R$ 150 mil. “Em casos específicos, podemos aumentar um pouco mais”, diz o gerente executivo. De acordo com ele, o nível de inadimplência é baixo e não esbarra em 1%. “Cobramos juros se 1,37% ao mês e, em geral, os financiamentos são de até 72 meses. Isso dá uma tranquilidade ao nosso associado. Mesmo quando registramos alguma inadimplência, é por fatores específicos, como aposentadoria por invalidez, o que reduz o salário, e nunca por calote”, explica.
Miranda afirma que a maioria dos trabalhadores procura crédito para ter acesso a bens duráveis. Outro fator seria a migração de financiamento, já que os juros da cooperativa são mais atrativos. “Eles querem comprar automóveis, imóveis urbanos ou rurais, casa de praia. Muitos também trocam o financiamento do leasing pelo da Coopjus, quando descobrem que podem pagar menos juros. Outros planejam até investimentos: compram apartamentos na planta e vendem depois por um preço bem maior”.