Dono da IstoÉ tem bens bloqueados por elo com Vorcaro, atrasa salários e site sai do ar após greve
A Entre é apontada como intermediadora de repasses financeiros do Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, para o filme “Dark Horse
Jornalistas da IstoÉ Publicações, responsáveis pelas marcas IstoÉ, Dinheiro, Gente, Motorshow, Planeta, Menu e Dinheiro Rural entraram em greve na última quinta-feira (14) em razão dos frequentes atrasos no pagamento de salários e benefícios.
A paralisação acontece em meio aos escândalos envolvendo a Entre Investimentos e Participações, do empresário Antônio Carlos Freixo Junior, que também é dono da editora.
A Entre é apontada como intermediadora de repasses financeiros do Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, para o filme “Dark Horse”, que conta a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na campanha de 2018 à Presidência da República.
Fonte ouvida Portal dos Jornalistas, indica que os problemas judiciais enfrentados por Antônio Freixo levaram ao bloqueio dos seus bens e do Grupo Entre, o que impediu o pagamento de funcionários e fornecedores, com a situação afetando também os serviços básicos da editora, como o provedor de e-mail e a plataforma de publicação de conteúdo nos sites das marcas que estão sem atualizações desde a última segunda-feira (11).
Até a manhã do sábado (16), o site da revista se encontrava fora do ar.
Um funcionário que não quis se identificar disse que “só tem acesso às redes sociais, mas sem poder publicar novas matérias”.
Sem estrutura, os jornalistas não têm condições de trabalho mesmo sem a greve. Na quinta-feira (14, uma nova assembleia foi realizada para atualizar a situação, oportunidade em que os presentes foram informados que o juiz responsável pelo caso preparava uma liminar para liberar ainda na sexta-feira (15), os pagamentos dos funcionários e os recursos básicos para manter os sites no ar; o que não aconteceu.
Em nota ao Portal dos Jornalistas, a IstoÉ Publicações confirmou que a “intermitência nos pagamentos de funcionários e fornecedores decorre do bloqueio judicial de parte dos bens e ativos financeiros do Grupo Entre, ao qual a empresa pertence. A medida impacta temporariamente a operação financeira da companhia e o cumprimento com colaboradores e parceiros. O grupo mantém diálogo constante com as autoridades competentes para regularizar a situação o mais rapidamente possível e reafirma seu compromisso com profissionais, fornecedores e leitores, seguindo empenhado na busca por uma solução responsável e célere para o momento enfrentado”.
Segundo a Intercept Brasil, a Entre Investimentos foi responsável pelo repasse de R$ 61 milhões para financiar o filme “Dark Horse” e, desse total, cerca de US$ 2 milhões (R$12,2 milhões), teriam sido enviados ao Havengate Development Fund LP, registrado no Texas, nos EUA, e gerido por Paulo Calixto, advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou repasses de R$203 milhões em um único dia entre o Master e a Entre, sem especificar quem enviou e quem recebeu o dinheiro, em 19 de agosto de 2024.
A informação consta de um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do banco de Daniel Vorcaro, o que provocou as investigações da Polícia Federal, que apura se o dinheiro teria sido destinado ao filme ou se foi desviado para custeio da permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Eduardo é considerado fugitivo pela Justiça brasileira.
Além disso, publicação de O Globo relatou repasses da Entre, feitos entre julho de 2022 e dezembro de 2025, que teriam sido enviados a empresas investigadas pela PF por lavagem de dinheiro, fraudes em combustíveis e ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e a máfia italiana.
Em nota ao jornal, o grupo afirmou que “realiza suas operações em conformidade com as normas e regulamentações aplicáveis ao setor financeiro. “A empresa reforça seu compromisso com a integridade, a transparência e o cumprimento da legislação vigente, permanecendo à disposição das autoridades competentes sempre que necessário”.
*Fonte: DCM




