Duplicação da BR-381 só virá em 2015
Construída na década de 1950 para comportar um fluxo médio de 500 veículos por dia, a BR-381 ultrapassa hoje em mais de 120 vezes o limite original, chegando a 63 mil carros/dia no trecho mais movimentado, em Ipatinga, no Vale do Aço. Sem reformas de grande porte ao longo desse período, a chamada Rodovia da […]
Construída na década de 1950 para comportar um fluxo médio de 500 veículos por dia, a BR-381 ultrapassa hoje em mais de 120 vezes o limite original, chegando a 63 mil carros/dia no trecho mais movimentado, em Ipatinga, no Vale do Aço. Sem reformas de grande porte ao longo desse período, a chamada Rodovia da Morte sofre com a saturação do tráfego, agravado pelo intenso movimento de caminhões e carretas. O cenário de acidentes e tragédias aponta para um futuro ainda mais nebuloso diante da perspectiva de crescimento econômico da Região do Vale do Aço, que, segundo a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), deve ultrapassar as taxas de desenvolvimento do Brasil nos próximos anos.
“A expectativa é de que o Produto Interno Bruto (PIB) do Vale do Aço cresça mais de 10% este ano, já que as siderurgias e minerações se recuperam bem da crise econômica e há boas perspectivas de investimentos”, diz o presidente da Fiemg Regional Vale do Aço, Luciano Araújo, reforçando que as previsões de mercado indicam um crescimento médio de 7% para o Brasil. Apesar do otimismo, o empresário alerta para o entrave na área de transportes. “É fundamental a duplicação da rodovia, pois, além do risco para a vida das pessoas, teremos problema de continuidade do crescimento por questões logísticas. A malha ferroviária que atende a região já está sobrecarregada e, com uma rodovia desse nível, o frete das mercadorias se torna mais caro e nossos produtos ficam menos competitivos no mercado.”
Enquanto as perigosas curvas continuam ceifando vidas, a novela da duplicação da rodovia se arrasta há mais de uma década, tendo a burocracia e a negligência do poder público como personagens principais. No ano passado, 138 pessoas morreram e 2.159 ficaram feridas, em 2,9 mil acidentes no trecho de 311 quilômetros entre Belo Horizonte e Governador Valadares, no Vale do Rio Doce.
A mais recente esperança para dar um final feliz a essa história é a promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de garantir recursos para a duplicação da BR no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC2). Em março, ele confirmou investimentos de R$ 3 bilhões para a obra, que deve ser concluída em 2015. Os projetos executivos devem ficar prontos até outubro e a expectativa é de que a licitação para as obras, divididas em 10 lotes, seja aberta no início do ano que vem.
A previsão é de que o projeto do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) permita a eliminação de curvas sinuosas, restauração e pavimentação de pistas e duplicação de trechos críticos e acabe com o conflito entre tráfego urbano e rodoviário nos trechos próximos às cidades. Em relação ao traçado atual, prévias dos projetos apontam que haverá redução de 13,2 quilômetros entre BH e Governador Valadares.
Movimento
Para acabar com os principais pontos críticos da BR, está prevista a construção de 150 obras de arte especial, como túneis, viadutos, pontes e passarelas. Perto de João Monlevade, a correção do traçado deve reduzir o número de curvas num trecho de pouco mais de três quilômetros, passando de 10 para somente duas.
Ao todo, devem ser construídos 218 quilômetros de rodovia nova. Somente em pontos menos movimentados, como o trecho entre Governador Valadares e Belo Oriente, deve ser mantida pista única. As intervenções são propostas de acordo com análise do volume de tráfego e do nível de saturação de cada trecho. O fluxo de veículos varia entre 8 mil/dia, em Governador Valadares, e 45 mil/dia na ponta oposta, em Belo Horizonte. Próximo a Ipatinga, alcança o topo de movimentação com 63 mil carros/dia. Nesse ponto, a pista já é duplicada e, para comportar a demanda, será construída uma terceira faixa para cada sentido.