“É uma sensação de impotência muito grande”, conta médico do Pronto Socorro

Eduardo Henrique é médico emergencista do Pronto Socorro de Itabira e atua na linha de frente de combate à Covid-19. O relato dele esta no terceiro vídeo da série produzida pelo portal DeFato

“É uma sensação de impotência muito grande”, conta médico do Pronto Socorro
Foto: DeFato
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Aos 29 anos, Eduardo Henrique Pereira Vieira é um dos médicos emergencistas que atuam na linha de frente do combate à Covid-19, no Hospital Nossa Senhora das Dores. Morando em Itabira há sete anos, Eduardo Henrique fez questão de conversar com a DeFato e dar seu relato à série de vídeos que mostra realidade de quem encara o coronavirus de frente.

Quando gravou seu relato, o médico vinha do um plantão de 24 horas, emendado em mais 24 horas. O semblante exausto não refletia a vontade de continuar lutando pela vida de seus pacientes. “Por mais que a gente se esforce e dê o nosso máximo em escalas de plantão dobradas e triplicadas, é angustiante ter um paciente internado e não ter vaga de UTI para ele”, confessa.

Como médico, Eduardo Henrique conhece bem a história das pandemias. Ainda assim, ele nunca imaginou viver uma. “A gente não estava preparado para uma pandemia. A gente tem um número de pacientes muito superior ao que temos de leitos. Não temos leitos de UTI suficientes para tratar todo mundo com necessidade de trabalhos intensivos”, explica.

Essa situação o colocou cara a cara com momento muito difíceis. “Um colega médico perdeu o pai. Ele trabalha conosco e está aqui todos os dias. E eu tive a missão de cuidar do pai dele nesses momentos. Eu quem tive que intubar o pai dele e levar para a UTI. Mas, infelizmente ele faleceu. É uma sensação de impotência muito grande”, confidência.

Sobre conscientização

Eduardo Henrique não deixou de falar de sua frustração quanto à falta de colaboração da população.

“Peço que respeitem o isolamento e o distanciamento. Por mais que seja difícil, é necessário para que a gente perca menos vidas, para que os nossos fiquem saudáveis, para que a gente tenha condições de tratar dessas pessoas. O caos e o colapso já estão instalados, mas está piorando cada vez mais. A gente espera que as pessoas colaborem. Por mais que seja difícil ficar em casa, não ter contato com outras pessoas, e necessário para que sejam salvas vidas”.

Confira o relato de Eduardo Henrique:

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