Empreiteiras entram em greve em Monlevade

Empresas do Grupo 19, integradas por empreiteiras que atuam fora da área da ArcelorMittal, estão em estado de greve desde a última sexta-feira, 11. Na manhã de ontem, 16, a situação se complicou e funcionários paralisaram 100% das atividades da empresa Forjaria Júpiter, que fica na rua do Andrade, no bairro José Elói. De acordo […]

Empresas do Grupo 19, integradas por empreiteiras que atuam fora da área da ArcelorMittal, estão em estado de greve desde a última sexta-feira, 11. Na manhã de ontem, 16, a situação se complicou e funcionários paralisaram 100% das atividades da empresa Forjaria Júpiter, que fica na rua do Andrade, no bairro José Elói.

De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos a divergência do acordo coletivo de 2009 ocorre com relação ao valor da Participação dos Lucros e Resultados (PLR). O reajuste salarial já foi acordado e funcionários aceitaram reajuste de 6,54% de aumento.

Em nota à imprensa, o Sindicato dos Metalúrgicos informou que na última reunião de negociação realizada na terça-feira, 15, o patronato propôs pagar R$ 400 de PLR, em única parcela, no dia 22 de dezembro, para trabalhadores das indústrias. Para as empresas de eletromotores, a proposta apresentada foi de R$ 141, também em única parcela, em dezembro. Já para serralherias e similares, R$ 100 em dezembro e mais duas parcelas de R$ 25, sendo a primeira em março e a última em maio do próximo ano.

No entanto, funcionários das empreiteiras reivindicam R$ 1.120,00 de PLR para funcionários das indústrias; R$ 324 para empregados das empresas do ramo de eletromotores e R$ 270,40 para serralherias e similares. A exigência é que os valores sejam pagos em parcela única no mês de dezembro.

Negociações

Tanto o Sindicato dos Metalúrgicos quanto o Sindicato das Indústrias Mecânicas e Elétricas (Sime) não têm previsão para finalizar o acordo coletivo deste ano.

Declarações do diretor do Sindicato dos Metalúrgicos, José Lino, apontam que a expectativa é de que a partir de hoje, 17, novas empresas adiram ao movimento de greve. "Se hoje não chegarmos a um acordo a forma de agir será mais forte. Por enquanto estamos aguardando boa vontade dos empresários e aguardamos propostas", alegou.

Já o presidente do Sime, Gérber Lúcio Leite, alega que as empresas estão dispostas ao diálogo. Ele justificou que as dificuldades de negociação são conseqüência da crise financeira mundial. "Os funcionários precisam compreender que a crise afetou a economia seriamente. Algumas empresas tiveram faturamento zero e outros amargaram prejuízos no exercício de 2009", justificou.

Segundo Gérber Leite, conversas informais são freqüentes entre o Sime e o Sindicato dos Metalúrgicos. "Estamos mantendo uma relação amistosa e por enquanto não existe conflito", declarou.

Polícia

Apesar das declarações de Gérber Leite, os momentos iniciais da movimentação de greve culminaram em conflitos entre os envolvidos e virou caso de polícia. No início da tarde de terça-feira, 15, a Polícia Militar esteve no número 4506 da avenida Armando Fajardo, no bairro Cruzeiro Celeste. No local funciona a sede da empresa Enjatec.

Consta no Boletim de Ocorrência que, na portaria da empresa, representantes do Sindicato dos Metalúrgicos, entre eles, o presidente José Quirino dos Santos, lideravam uma movimentação de greve. A proprietária da empresa, a administradora Fabiane Silva Carneiro Pettinati, 33, alegou à polícia que a entrada dos funcionários teria sido impedida por integrantes do Sindicato dos Metalúrgicos.

Já José Quirino alegou que a empresa teria "forçado" os funcionários a entrarem no estabelecimento para realizarem suas atividades trabalhistas. Segundo a polícia, houve bate-boca e empurra-empurra entre funcionários e integrantes do Sindicato. O conflito só foi encerrado com a chegada da polícia.