Empréstimo é usado para pagar dívidas

Trocar a dívida contraída no cartão de crédito ou no cheque especial por outra mais barata ou simplesmente quitar todos os débitos, recomeçando a vida financeira com mais tranquilidade. Esse continua sendo o principal destino dado ao dinheiro do crédito consignado por uma multidão de funcionários públicos, aposentados e pensionistas, calculada em 22,5 milhões de […]

Trocar a dívida contraída no cartão de crédito ou no cheque especial por outra mais barata ou simplesmente quitar todos os débitos, recomeçando a vida financeira com mais tranquilidade. Esse continua sendo o principal destino dado ao dinheiro do crédito consignado por uma multidão de funcionários públicos, aposentados e pensionistas, calculada em 22,5 milhões de pessoas, metade do total de servidores e de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no Brasil. Com juros que variam entre 1,9% e 2,5% ao mês, o saldo dos empréstimos com desconto em folha no país já soma R$ 118,8 bilhões. O crescimento nos quatro primeiros meses do ano foi de 38%, em relação ao mesmo período do ano passado. E a expansão continua.

A razão para que a principal finalidade no uso do consignado seja a troca de dívidas está no fato de que os juros cobrados nesses empréstimos são praticamente imbatíveis quando comparados a outras modalidades existentes no mercado. De acordo com a Fundação Ipead, em maio, as taxas médias de juros cobradas no cartão de crédito estavam em 12,60% ao mês; nas financeiras independentes, 10,05%; no cheque especial, 7,88%, e no CDC financeiro, 3,52%. As taxas do consignado só perdem para o CDC de bens duráveis (1,57%) e para a aquisição de automóveis novos e usados (de 1,51% a 1,7%).

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), 41% das pessoas que apelam para o consignado ainda o fazem para quitar dívidas. “Hoje, o uso do consignado continua muito concentrado na melhora do perfil de endividamento. É comum que as pessoas que estão endividadas troquem dívidas mais caras por outras mais baratas”, reconhece a diretora da área de varejo do Banco Intermedium, Virgínia Cançado. Na avaliação dela, porém, aos poucos os usuários já estão descobrindo que é possível fazer novos usos desses recursos. No Intermedium, 60% dos empréstimos consignados tomados pelos clientes são usados para trocar dívidas. “Existe um público que usa o crédito comum oferecido pelo mercado e que ainda não descobriu que pode usar o consignado com a mesma finalidade.”

Djalma Pereira Santos, 64 anos, militar reformado, começou usando o consignado para quitar dívidas do próprio consignado, mas acaba de reformar a casa dos filhos com o dinheiro de mais um empréstimo tomado nesse segmento. Para isso, tirou R$ 48 mil. Atualmente, 40% de sua renda está comprometida com o pagamento da dívida, mas ele diz que isso não interfere na sua qualidade de vida. “Tudo o que eu fiz com o dinheiro do consignado foi para melhorar a minha vida e a da minha família. Minha mulher trabalha e, como não consumimos muito, nosso dinheiro dá para levar uma vida tranquila, apesar do comprometimento da renda”, diz.

De acordo com Frederico Penido, vice-presidente do Banco Bonsucesso, há três anos um levantamento realizado pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC) apontava que 55% dos empréstimos consignados eram usados para que o tomador conseguisse sair do cheque especial ou da dívida com o cartão de crédito. Em seguida, em 12% dos casos, o dinheiro era usado para ajudar a família e em 10% para a reforma do imóvel. “Ninguém que toma esse tipo de empréstimo está jogando o dinheiro for a. Ele é aplicado em coisas prioritárias na vida das pessoas”, sustenta.