Estação Gatos em perigo: 35 mil pessoas podem ficar sem água em Itabira

Funcionários do Saae no local do desmoronamento de barranco, mostrando solução paliativa do problema

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Nesta semana, o prefeito João Izael Querino Coelho (PR) disse a DeFato: “A curto e a médio prazo, os problemas de água em Itabira constituem pequenos detalhes que precisam ser atacados, e estamos tomando providências; a maior preocupação que merece mais dedicação é o desafio a longo prazo, que estamos tentando resolver também”. Os problemas levantados pela Prefeitura são, praticamente, de responsabilidade da Vale, entre os quais se destaca a baixa produção de poços artesianos perfurados.
 
No entanto, DeFato investigou e levou ao conhecimento do prefeito, neste sábado, 11 de abril, uma questão que parecia nova e que afetou, desde quinta-feira, pelo menos oito bairros da cidade — Campestre, Bela Vista, São Pedro, Eldorado, Nossa Senhora das Oliveiras, São Francisco, Nova Vista, Vila Cisne e Penha. Desmoronamento de barranco atingiu a rede adutora de Gatos, dos Padres à ETA, e causou o rompimento de cerca de 100 metros de tubos de ferro. Nesta sexta-feira da Paixão, 12 funcionários do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) trabalharam na recuperação dos tubos e, com isso, o abastecimento dos bairros mencionados voltou ao normal. Mas o risco do retorno do problema é iminente, a esta conclusão se chega facilmente.
 
URGENTE, SOCORRO!
 
DeFato esteve em vários locais para levantar os problemas ocorridos — Estação do Campestre, que faz a distribuição de água para os oito bairros citados; Estação dos Gatos, onde há o bombeamento e tratamento da água e no local da rede rompida — e falou com Mário de Cássia (Campestre), o subgerente José Socorro Oliveira Morais, o supervisor de Rede, Izac Honório Nunes e o operador de bombas, Édson Bento Vav, estes três últimos que trabalham na ETA Gatos.
 
José Socorro disse à reportagem: “Tenho 27 anos de Saae e nunca vi, na minha área, um problema tão grave, ou melhor, pode escrever aí, problema gravíssimo”. Em seguida, o funcionário, também acompanhado por Izac Honório, conduziu DeFato a uma extensão de aproximadamente 300 metros de lamaçal, mostrando o que foi feito para resolver, de acordo com ele próprio, “paliativamente”, a questão. “O terreno desceu cerca de 300 cm e continua trincado; se continuar chovendo, o pior pode acontecer”, afirmou.
 
O pior, mencionado pelo funcionário, é que o fato requer uma ação mais prolongada de recuperação da tubulação, cercada de rachaduras. Logo abaixo da rede rompida, há cerca de dois anos, de acordo com funcionários do Saae, foi construído um muro de contenção, que se mostra ineficiente para segurar a ameaça de outro desmoronamento. “Já falei com o diretor Jorge Borges e espero que, na segunda-feira, tenhamos uma solução para este problema; teremos que tentar remover a terra sem atingir a rede”, ponderou. Qual a solução? A reportagem concluiu: construção de novo muro de arrimo e tentar não atingir a rede; se o fato ocorrer, 33 mil itabiranos voltarão a amargar a falta de água.
 
A ETA Gatos entrou em operação em 1984 e abastece 1/3 da cidade ou, aproximadamente, 35 mil pessoas dependem do manancial. A sua construção, que ocorreu durante o governo do prefeito José Maurício Silva (1983-1988), teve como principal objetivo substituir a ETA Camarinha/Três Fontes. Na manhã deste sábado, o bombeamento registrava 95 litros por segundo na sua produção. No Campestre, setor encarregado de redistribuir aos bairros, o volume chegava a 70 litros por segundo, de acordo com o operador.