Experiência de distrito é exemplo para Barão de Cocais

Em meio aos problemas que enfrenta devido ao risco de rompimento da barragem Sul Superior, Barão de Cocais vem buscando alternativas para o desenvolvimento econômico. O turismo surge como uma das principais possibilidades para o município de 32 mil habitantes. “O ‘minério dependência’ é uma discussão antiga. Sempre foi difícil qualquer outra atividade disputar com […]

Experiência de distrito é exemplo para Barão de Cocais
Praça do Vilarejo de Cocais

Em meio aos problemas que enfrenta devido ao risco de rompimento da barragem Sul Superior, Barão de Cocais vem buscando alternativas para o desenvolvimento econômico. O turismo surge como uma das principais possibilidades para o município de 32 mil habitantes. “O ‘minério dependência’ é uma discussão antiga. Sempre foi difícil qualquer outra atividade disputar com os valores pagos pela mineração. Mas ela acaba, portanto, é necessário pensar a diversificação”, declarou o secretário municipal de Turismo, Rafael Augusto Gomes.

E o exemplo é de casa, o distrito de Cocais, onde as belezas naturais, o sítio rupestre, o vilarejo colonial e a tradição na produção de quitandas encantam os visitantes. “Cocais é a nossa menina dos olhos. Não temos tradição em turismo, mas sabemos o potencial que a atividade tem”, diz Rafael Gomes.

O gestor ressalta que o setor não precisa depender de atrativos naturais ou bens patrimoniais para se desenvolver. O turismo de negócios ou comercial também são possibilidades. Apesar de sua história datar do início do século 18, a cidade de Barão de Cocais preservou poucos imóveis.

O destaque é o Santuário de São João Batista, com obras de Aleijadinho e pinturas atribuídas ao mestre Ataíde. A construção é tombada. Neste junho, mês de aniversário de Barão de Cocais (dia 24), aconteceu o Jubileu de São João Batista, outra tradição do município. O evento é realizado na sede, do dia 15 ao 24.

Assim como o santuário também são tombadas as edificações que abrigam a Casa do Artesão e o Cine Rex. Este último do século 20. Essas duas construções, inclusive, serão restauradas pela prefeitura.

Festa de Jubileu de São João Batista – Foto Maxuel Dias

Cocais se destaca por ecoturismo, vilarejo e quitandas

Cocais tem cachoeiras e paisagens propícias à prática de esportes radicais. Também é no distrito que fica o Sítio Arqueológico da Pedra Pintada, com suas pinturas rupestres, datadas de aproximadamente 6.000 anos.
O Vilarejo Colonial guarda muitas construções antigas, entre elas duas igrejas do século 18 tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan): Capela de Nossa de Nossa Senhora do Rosário e Igreja de Santana.

O distrito ainda tem a tradição culinária na produção de bolos e biscoitos. A Festa da Quitanda, realizada há 12 anos seguidos em Cocais, é considerada hoje o principal evento do município, segundo o secretário de Turismo. A última festa aconteceu em maio e atraiu turistas de várias partes do Estado e do país. Até estrangeiros estiveram presentes. “Estamos trabalhando, inclusive, para que Barão seja reconhecida como a Terra da Quitanda”, declarou.

O secretário informou que Cocais tem hoje duas grandes pousadas estruturadas e três restaurantes. “Queremos incentivar o turismo rural, permitindo ao visitante que ele vivencie o universo local, seja hospedado nas residências dos moradores e possa conhecer mais o modo de vida da comunidade”, declarou Rafael Gomes.

Município dá início ao Plano de Desenvolvimento Turístico

Barão de Cocais começou agora o seu Plano de Desenvolvimento Turístico. O primeiro debate com a sociedade, promovido pela Prefeitura Municipal, aconteceu no dia 6 de maio. Na data, foi realizada uma reunião com a Associação Comercial (Aciabac) e outros atores do setor, como donos de hospedagens e de imóveis com potencial para uso no turismo, proprietários de restaurantes e lojistas.

O diálogo, segundo o secretário de Turismo, Rafael Gomes, também vem sendo promovido com municípios vizinhos, numa tentativa de fortalecimento do turismo regional. “Barão pode ser uma cidade pequena, mas se pensarmos em um circuito, não há dúvida que há muitos atrativos”, declarou. As conversas iniciais já foram feitas com Catas Altas e Santa Bárbara e outros municípios serão procurados.

Igreja Nossa Senhora Mãe do Socorro – Foto PMBC

Barragem ameaça Gongo Soco

Desde 8 de fevereiro, devido ao risco de rompimento da Barragem Sul Superior da Mina de Gongo Soco, da mineradora Vale, várias comunidades da região foram evacuadas e estão ameaçadas de desaparecer na lama caso a represa entre em colapso. Cerca de 500 pessoas tiveram de deixar seu passado para trás.

Entre essas localidades está o povoado de Socorro, onde a história de Barão de Cocais começou. Consta que a primeira igreja do vilarejo é datada de 1737. Por causa da evacuação, a celebração de Páscoa não pode acontecer na Igreja Nossa Senhora Mãe Augusta do Socorro. Também não ocorrerá no povoado a tradicional festa de Nossa Senhora Mãe Augusta do Socorro, realizada há mais de 280 anos no mês de agosto.

A comemoração dura dias, culminando com a Cavalhada de Socorro. A Prefeitura Municipal planeja a reprodução da festa em um outro local para não causar mais esta perda aos cocaienses.

Volta da extração é esperança para aquecer a economia

O projeto da Vale de expansão da mina de Brucutu, sediada em São Gonçalo do Rio Abaixo, inclui a extração mineral na Cava da Divisa, em Barão de Cocais. A expectativa da administração municipal é que esse projeto não demore a sair do papel para impulsionar o desenvolvimento econômico do município, incluindo ações no setor do turismo. Também há a expectativa da extração pela Mineradora Serra Azul no município, com início da operação em um ano.

“Não podemos repetir o erro do passado, em que Barão de Cocais aceitou a mineração sem a merecida compensação. O plano agora é que os recursos advindos da atividade sejam destinados à diversificação financeira, incluindo aí o turismo”, afirmou o secretário de turismo Rafael Gomes. Desde que a Mina de Gongo Soco está desativada, em 2014, a compensação financeira recebida por Barão de Cocais é por abrigar a barragem de Laranjeiras, que recebe os rejeitos da Mina de Brucutu.

Reportagem divulgada na edição nº 60, de junho de 2019, do jornal “Cidades Mineradoras”