Itabira não possui nenhuma competição de Mountain Bike, com exceção de alguns passeios ciclísticos promovidos esporadicamente. Mesmo assim é referência
A instituição foi fundada em março de 2003, por alguns amantes do esporte que queriam participar de competições importantes e entrar para a classe dos atletas profissionais. Seis anos depois, em 13 de outubro do ano passado, a Associação conseguiu o título de utilidade pública municipal. Neste período, mesmo com recursos escassos, o grupo de atletas acumulou centenas de títulos, troféus, medalhas e condecorações de copas e campeonatos regionais, estaduais, nacionais e internacionais.
Deilton Fernandes é o principal personagem desta história. Ele é um dos fundadores da Associação, atual presidente, e o que mais tem títulos conquistados. Aos 35 anos, o ciclista é campeão em sua categoria das Copas Tradição, de Juiz de Fora; Inconfidentes, de Itabirito; Caeté, de Caeté; Vale do Aço, de Ipatinga; Ouro Preto, de Ouro Preto; copa Caloi – que acontece em três cidades mineiras – e do Bike Fest, de Alvinópolis. Mas não para por aí. O itabirano também conseguiu o primeiro lugar no Ranking Mineiro, em 2005, o 7º no Ranking Brasileiro, em 2008, e o 7º na Copa Internacional de Mountain Bike, em 2009, sem contar os mais de 50 troféus e 100 medalhas de primeiro, segundo e terceiro lugares.
Para ter uma noção de como a disputa é acirrada, Deilton conta que em provas como o Iron Biker, participam até 1300 atletas do mundo todo. A maioria dos eventos acontece
Equipamentos caros
Mais difícil que competir e conquistar títulos é manter os gastos com as bicicletas e equipamentos. Por serem peças especiais, destinadas ao esporte profissional, o custo para adquirir uma bike, sem contar os acessórios básicos para competição, como capacete, luvas e sapatilhas, pode ultrapassar o valor de uma moto comum e chegar o preço de um carro popular seminovo.
Para disputar à altura dos adversários do mundo todo, Deilton conta que encomendou uma bicicleta de última geração, fabricada nos Estados Unidos. Como é dono de casa de peças, ele conseguiu a máquina a preço de custo, mesmo assim pagou R$ 10 mil, sem contar o frete do navio, que deve chegar a R$ 350. O competidor disse que o modelo foi lançado em janeiro deste ano e não tem previsão para chegar ao Brasil. Sua nova companheira deve chegar até o meio deste mês.
Joel Leite também possui uma dessas bikes caras. O equipamento que usa nas corridas custa mais que seu próprio carro: aproximadamente R$ 18 mil (contando com valores investidos na compra de peças e incrementos personalizados a seu estilo). O desportista espera que com o título de utilidade pública, a Associação possa conseguir com mais facilidade recursos que ajudem seus filiados a arcar com as suadas cifras.
“Com este reconhecimento, a ACI poderá fornecer uma estrutura melhor para que os atletas não abandonem o esporte. Perdemos muitos ciclistas que tinham futuro devido a falta de investimento e ao alto custo. Chegamos a ter atleta da categoria Júnior (
Com as novas perspectivas, além de continuar o incentivo à prática do ciclismo, a Associação pretende realizar provas em Itabira, trazendo para o município atletas de Minas e do Brasil. As oportunidades são reais, já que ACI é também uma das 15 organizações do estado com direito a voto na Federação Mineira de Ciclismo, entidade máxima que representa e organiza o esporte. O investimento na expansão de modalidades mais radicais como o Down Hill, que conta com adeptos em Itabira, também faz parte dos projetos a partir deste ano.
As notícias são boas e vêm estimular ainda mais o espírito esportivo dos amantes do pedal, que passam, em média, uma hora e meia na academia e duas horas pedalando pelas subidas e descidas de Itabira todos os dias. O calendário de 2010 está quase concluído e deve ser divulgado ainda neste mês. Se depender da vontade de vencer dos esportistas, Itabira será homenageada com muito mais troféus e títulos daqui para frente.