Impasse judicial pode travar novo patrocínio de R$1 milhão da Câmara e Prefeitura de Itabira ao Valério; entenda
Cerca de R$380 mil enviados ao Valério no ano passado seguem bloqueados pela Justiça devido a ações trabalhistas movidas contra o clube
A Prefeitura de Itabira pretende enviar, nos próximos dias, um projeto de lei à Câmara Municipal para viabilizar um novo aporte financeiro ao Valério. A proposta que está sendo elaborada prevê um repasse de R$500 mil por parte do Executivo, com a complementação de mais R$500 mil por meio da devolução de duodécimos do Legislativo, totalizando até R$1 milhão para o clube disputar o Módulo II do Campeonato Mineiro. A informação foi confirmada ontem (23), pelo prefeito Marco Antônio Lage (PSB).
No entanto, Marco Lage explicou que a efetivação do repasse ao clube itabirano depende de uma definição judicial. Isso porque cerca de R$380 mil enviados ao Valério no ano passado seguem bloqueados pela Justiça devido a ações trabalhistas. Segundo o prefeito, o valor bloqueado impede novos aportes enquanto não houver regularização.
“Como não pode pagar causas trabalhistas com recurso público, esse dinheiro ficou parado na conta e a gente precisa de uma definição do juiz para que seja liberado esse recurso, para que o Valério devolva à prefeitura e a prefeitura faça o aporte”, explicou.
Prefeitura já investiu quase R$4 milhões no Valério; prefeito reforça necessidade de venda da SAF
Com o patrocínio de R$1,5 milhão destinado em 2025, a Prefeitura de Itabira alcançou a marca de R$3,9 milhões empenhados ao clube, que reativou suas atividades profissionais em 2022. Naquele ano, a gestão municipal deu um aporte de R$300 mil ao Valério, quantia que foi considerada importante, mas não suficiente para cobrir todas as despesas do time itabirano na última divisão do Mineiro.
No ano seguinte, em 2023, R$800 mil foram destinados após uma série de discussões, pedido de vista, reunião às portas fechadas e sessão extraordinária na Câmara de Vereadores. O valor também era insuficiente para custear a participação do clube, que conseguiu o tão sonhado acesso ao Módulo II.
Já em 2024, no retorno do Dragão à segunda divisão do estadual, foram investidos mais R$1,3 milhão pela Prefeitura de Itabira. O patrocínio também não custeava todos os gastos do clube e só foi liberado após muita briga, entraves, manifestações e acordos na Câmara de Itabira.
Para Marco Antônio Lage, a transformação do clube está na venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) como solução estrutural. “Eu acho que a SAF é uma necessidade hoje. Diria que é uma possibilidade, talvez a única, de manter a sustentabilidade de um clube de futebol, que está muito caro no Brasil”, avaliou. O prefeito também disse que, no momento, não há negociações em estágio avançado, mas disse que já houve interessados em anos anteriores e que o município pretende retomar as articulações com empresários do setor.
“A estratégia é buscar esses investidores, conversar com players do futebol, para que o Valério tenha uma SAF com estrutura financeira e capacidade de investir, inclusive nas categorias de base”, afirmou.




