Indústria mineira já sente os efeitos da crise e cai 1,9% em outubro

A indústria mineira demonstrou, em outubro, os primeiros reflexos da crise financeira mundial e registrou queda na produção de -1,9 frente uma redução mais amena, de -0,7%, apurada em setembro pela Pesquisa Mensal Industrial Produção Física – Regional, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. É a terceira queda consecutiva da produção industrial mineira que […]

A indústria mineira demonstrou, em outubro, os primeiros reflexos da crise financeira mundial e registrou queda na produção de -1,9 frente uma redução mais amena, de -0,7%, apurada em setembro pela Pesquisa Mensal Industrial Produção Física – Regional, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. É a terceira queda consecutiva da produção industrial mineira que mantém índices altos tanto para o acumulado em 10 meses (6,0%), quanto para o acumulado nos últimos 12 meses (6,4%). A indústria automotiva foi o ítem que mais pesou na média geral com queda de mais de outubro, segundo a sondagem.

O economista da coordenação de indústria do IBGE, André Macedo destaca a importância do segmento automotivo para o desempenho da indústria mineira no acumulado do ano. “No acumulado de 10 meses, o segmento cresceu 10,7%”, explica.

Ele informa também que a indústria extrativa continuou em crescimento em outubro quando ostentou elevação na produção de 1,6%. Nos primeiros dez meses, o setor acumula elevação na produção de 7,5%.


Segundo a pesquisa do IBGE, a redução da atividade produtiva da indústria , no geral, sofreu o impacto das férias coletivas não planejadas e das paradas técnicas para controlar os estoques.

“A incerteza sobre a crise financeira observada no cenário internacional levou as empresas a reduzirem a atividade produtiva”, avaliou André Macedo. Em âmbito nacional, a pesquisa registrou queda na produção industrial de -1,7%.

Na região Sudeste, Minas foi o segundo estado que mais desacelerou a produção em outubro. O Espírito Santo liderou o ranking nacional da redução da atividade industrial com -5,7%. Rio de janeiro teve redução de -0,3% e São Paulo mostrou-se o menos afetado do Sudeste pela conjuntura econômica de outubro. Reduziu a produção industrial em -0,2%.


Para o economista do IBGE, a pesquisa é reveladora de uma nova situação na produção industrial brasileira. “O resultado de outubro é atípico para o Brasil que vinha obtendo bons resultados nesse segmento há nove meses”, pontuou.

André Macedo diz que não há como fazer previsão sobre qual será o resultado da próxima sondagem. sobre o desempenho mineiro, ele analisa que ficou muito próximo do nacional. A indústria mineira teve desaceleração de -1,9 contra -1,7 da brasielira.

Quatro foram os estados da federação que conseguiram manter a produção em patamares positivos frente o cenário sombrio da economia mundial verificado em outubro.

Pelo menos um estado das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul conseguiu se equilibrar. O Pará seguiu ostentando um crescimento de 3,1%, seguido por Goiás, com 2,5%, Ceará, 1,3%.

Recuperação virá no 2º trimestre

De acordo com o vice-presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Sérgio Cavalieri, não há como precisar o comportamento da economia no curto e médio prazo.

 
“ O que há é um certo consenso entre os empresários de que o primeiro trimestre será mais difícil porque o consumidor estará pressionado pelas demandas do início de ano.

A recuperação deverá começar no segundo trimestre e apena s no segundo semestre de 2009, será possível pensar num equilíbrio financeiro maior do consumidor “, avaliou.

Segundo Sérgio Cavalieri, os resultados da pesquisa do IBGE não surpreende. Para o empresário, a combinação da reduçãoda demanda internacional e restrição do crédito não deixou saídas para o segmento industrial.


Ele interpreta que a indústria automotiva que vinha crescendo com muito fôlego há alguns anos foi um dos setores que mais se ressentiram com a crise.

Presidente do Conselho Adminstrativo do Grupo Asamar, que atua nos ramos de combustíveis, imobiliário e de estruturas metálicas, Sérgio Cavalieri diz que os três setores dão bons indicativosdo ritmo industrial.


“Na área de estruturas metálicas, percebemos uma redução no número de encomendas. Os empresários dizem que estão aguardando o desenrolar de 2009 para decidirem se vão expandir as atividades com ampliação de e construção de galpões. O segmento imobiliário sentiu o impacto, mas os combustíveis continuam com a demanda nornal porque as pessoas continuam realizando as atividades do dia-a-dia”, constatou. Mas ele constata que o grau de confiança do consumidor está abalado, o que vem refletindo diretamente na queda da demanda. “Especialmente os bens duráveis, como os automóveis, foram prejudicados pela incerteza do consumidor que não tem garantias, por exemplo de assegurar o emprego e não tem crédito como antes”.