Investigado na Câmara, prefeito quer perícia de gravação de proprietário da Prius
Prefeito Damon voltou a se manifestar sobre a CPI instaurada pela Câmara para investigar o contrato firmado entre a Prefeitura de Itabira e a Prius

A Câmara de Vereadores de Itabira deve anunciar até esta quinta-feira, 23 de junho, a composição da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai investigar o contrato de R$ 9,2 milhões firmado entre a Prefeitura e a empresa Prius Planejamento, Gestão e Tecnologia da Informação. A instauração do processo foi pedida pela oposição após a veiculação de uma gravação que seria do empresário Ricardo Fontani Alvares, proprietário da Prius, na qual afirma que apesar de repasses milionários à sua empresa, o município “não tem nada na mão”. Em entrevista coletiva na manhã dessa terça-feira, 21, o prefeito Damon Lázaro de Sena (PV) questionou o áudio e pediu que o material seja periciado.
“Cabe à gente discutir se o que está aí postado é verídico ou não. Porque tudo aquilo que provoca questionamentos, principalmente gravações, seja de áudio ou vídeo, tem que ser definido se é verídico ou não, no mínimo periciado. Você não pode começar todo um processo diante de uma evidência que não seja bem robusta e bem alicerçada. Não tem um porquê pegar uma gravação simples e se basear nisso para fazer um ‘acabou o mundo’”, declarou o prefeito, citando ainda que o processo também é acompanhado pelo Ministério Público.
O áudio foi gravado por um site de notícias da cidade. No material, a voz que seria do empresário afirma: “Eles me pagaram mas o que eu entreguei para eles não serve de nada”. Na mesma gravação, é dito que o chefe do Executivo aplicaria um “calote” à administração municipal. Ricardo Fantoni foi um dos principais financiadores da campanha de Damon em 2012.
O presidente da Câmara de Vereadores, Rodrigo Diguerê (PV), afirmou que vai, sim, solicitar a perícia do áudio apresentado como prova de um possível esquema de favorecimento. O pevista também informou que deve contratar uma consultoria externa para orientar os trabalhos da CPI no Legislativo. "Trata-se de um tema novo. Precisamos de uma consultoria especializada, de pessoas que entendam do processo para que façamos uma contribuição sem deixar margem para nulidade ou questionamento das partes”, pontuou.

População pressiona vereadores a investigar contrato
“Serviço é utilizado”
O prefeito Damon voltou a negar as acusações gravadas de que o município não tem nada do que foi acertado com a Prius. De acordo com ele, a Prefeitura pagou à empresa de gestão cerca de R$ 4,6 milhões dos R$ 9,2 estipulados em contrato. “Pagamos por um serviço que foi executado e esse serviço está sendo usado pela Prefeitura. Inclusive, nós temos até o voo que foi feito para fazer o registro da ocupação da nossa área urbana. Esse voo, de onde fizemos o georreferenciamento, é um serviço que o preço gira em torno de R$ 1,5 milhão. Isso é de posse da Prefeitura, nós temos todos os dados para utilizar”, argumentou.
Segundo comentou o prefeito, esse serviço de georreferenciamento está ligado à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano. Além dessa pasta, ainda de acordo com Damon, os serviços executados pela Prius também contemplam auditorias nas áreas de Saúde, Educação e Fazenda. “A Prefeitura tem utilizado tudo aquilo que foi produzido e aquilo que permite às pessoas pesquisarem e terem conhecimento a respeito de estrutura da cidade vai ser disponibilizado. Estamos trabalhando no sentido de agregar softwares e outras ferramentas que permitirão às pessoas terem acesso a tudo isso que foi construído”, continuou o prefeito.
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Nivelar por baixo
Durante a entrevista coletiva, o prefeito Damon foi questionado se a Prefeitura não demorou a agir, oferecer uma resposta à Câmara, já que o assunto da Prius é martelado pela oposição desde 2014. No entendimento do chefe do Executivo, não houve erro. Para ele, ter enfocado nesse assunto seria “nivelar o discurso por baixo”. O prefeito pontuou, ainda, que existem estruturas o suficiente para acompanhar o processo.
“Os problemas já são enormes e a população já sofre demais para eu poder ficar nivelando discursos por baixo. Eu acho que nós temos as estruturas necessárias para fazer o acompanhamento dos processos. Nós temos os conselhos, temos o funcionalismo público, temos o Judiciário, o Ministério Público e a Câmara de Vereadores, tudo isso para acompanhar de forma imparcial esse processo. Então, não há porque eu ficar focando numa discussão que vai provocar um desgaste necessário. Eu tenho é que focar nas melhorias que eu posso gerar. É nesse sentido que eu caminho”, finalizou.