Não há motivo para pânico em Minas Gerais, principalmente em Itabira. Pelo menos esta é a sinalização dada por dois indicativos importantes: o primeiro é o resultado de estudo levado à frente pela Fundação João Pinheiro (FJP), que mantém o município como detentor do primeiro lugar; o segundo são os pronunciamentos do presidente Roger Agnelli somados às suas explicações apresentadas nesta quinta-feira ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o corte de empregos na Vale.
Mesmo com as vendas de minério de ferro, aço, automóveis e café, a mudança no ranking mineiro de exportadores teve apenas a substituição de algumas cidades que tendiam a fechar o ano entre as dez mais do estado. É certo que Minas Gerais é dependente em potencial das produções mineral, siderúrgica, dos setores automotivo e cafeeiro. Todos juntos representam cerca de 65% das vendas externas mineiras. Estas são conclusões do relatório apresentado pela pesquisadora Elisa Maria Pinto da Rocha, da FJP.
ITABIRA, A PRIMEIRA
Na terra natal de Carlos Drummond de Andrade e da Vale há mais pessimistas que otimistas. Esta é uma característica de quem lida na economia secundária e terciária, principalmente no comércio, de cidades antes chamadas de acampamento, mas hoje consolidadas como progressistas. Em 2007, Itabira se sagrava campeã mineira e tinha Nova Lima em segundo lugar. Timóteo, no Vale do Aço, terra da Acesita transformada em AcelorMittal, era a décima colocada. Com a chamada crise global, o berço da Vale se manteve na liderança, mas Ouro Preto, antes a terceira colocada, assumiu o segundo posto. Nova Lima saiu da lista das dez mais, subindo a capital, Belo Horizonte.
Os números de Itabira são consolidativos — US$ 3,09 bilhões — enquanto seguem pela ordem: Ouro Preto (US$ 2,75bi), Araxá (1,48 bi), Ouro Branco (1,32 bi), Varginha (US$1,07 bi), Betim (US$ 1,05 bi), Sete Lagoas (US$ 816,96 mi), Juiz de Fora (US$ 742,35 mi), Belo Oriente (US$ 525,18 mi) e Belo Horizonte (US$ 489,05 mi).
LULA E A VALE
Diante do alarde que se fez nesta semana sobre demissões na Vale, que chegou a cortar 1,3 mil postos de trabalho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu cobrar do presidente da Vale, Roger Agnelli as explicações. As palavras de Agnelli, de certa forma, tranqüilizaram Lula. Foram demitidos trabalhadores de escritórios que estavam na lista de futuros demitidos em vista de inovações tecnológicas introduzidas na empresa.
Aproveitando a cobrança, Agnelli reclamou da imprensa que, segundo ele, não divulga com o mesmo destaque que a Vale contratou seis mil trabalhadores em 2008, deixando um saldo de aproximadamente cinco mil fichados. O presidente da Vale anunciou que a empresa poderá contratar mais mão-de-obra no ano que vem, porque investirá 14 bilhões de dólares durante o transcurso de 2009. Por enquanto, mesmo dizendo que "faz ginástica para ocorrer o contrário", o executivo não descarta novas demissões de empregados.
Em Itabira, o Sindicato Metabase busca apoio político para realizar uma grande mobilização contra demissões. Por seu lado, o ministro do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio, Miguel Jorge, afirmou, em discurso proferido na Conferência da Associação Mundial de Promoção de Investimentos, que o pânico pode causar problemas à economia.