Itabiranos relatam dificuldades de contato com a polícia via 190
Segundo moradores da cidade, o número chama sem que ninguém atenda

A falta de segurança pública em Itabira continua sendo uma pauta urgente. O número de relatos de invasões, furtos e assaltos segue aumentando rapidamente e deixando a população cada dia mais amedrontada. Na última semana, o portal DeFato recebeu uma série de relatos sobre as dificuldades para conseguir contato com a Polícia Militar por meio do número de urgência 190, ou de confeccionar boletins de ocorrência usando a delegacia virtual.
Todos os depoimentos alegam os mesmos problemas: quando se liga no 190, o telefone chama sem que ninguém atenda; ao realizar cadastro de boletim de ocorrência on-line, na delegacia virtual, o processo é interrompido pelo próprio sistema; e não há policiais nos postos físicos espalhados na cidade.
De acordo com um morador da região central, desde a última segunda-feira (29) ele vem tentando fazer um registro de um acidente de trânsito sem sucesso. O homem, que preferiu não se identificar, contou que se envolveu num acidente sem vítimas com uma motociclista. Ele assumiu a responsabilidade pelos danos físicos no veículo e, para acionar o seguro, precisou solicitar um boletim de ocorrência. Foi quando sua saga começou.
“Desde terça-feira (30) eu tento fazer o registro, sem sucesso. Por causa dos meus horários de trabalho, dei preferência à delegacia virtual, mas já comecei a fazer o cadastro umas 100 vezes e não consegui finalizar. Quando estou no meio do preenchimento, o sistema fica indisponível e pede para fazer mais tarde”, detalha.
O homem, então, tentou buscar por auxílio dos policiais militares que ficam nas bases físicas espalhadas pela cidade. “Não encontrei ninguém. Em uma delas, uma pessoa da limpeza pediu para verificar no 190, o horário que teria alguém no quartel para eu fazer o boletim. Eu passei a manhã toda dessa sexta-feira (2) tentando falar no 190. Ninguém atende!”, comentou indignado.
O itabirano também foi até o quartel da Polícia Militar, no bairro Fênix, em busca de ajuda. “Já na guarita o policial me disse que a delegacia virtual pode estar com a rede sobrecarregada. E sobre o 190, ele disse que achava que o telefone estava atrapalhado”, descreve o homem que ainda não conseguiu registrar a ocorrência.
“Itabira não consegue fornecer um trabalho de segurança pública decente. E, pelo que eu entendi, não tem nem efetivo suficiente para atender ao telefone. Isso é muito complicado. Se a pessoa precisar de uma urgência, os policiais em Itabira não atendem”, desabafa.
Recorrente
Esse parece não ser um caso isolado. Outras pessoas procuraram a redação da DeFato para reclamar dos mesmos problemas. Uma mulher, que também preferiu se manter no anonimato, contou que há alguns dias vem tentando denunciar um caso de arruaça e perturbação da vizinhança. Segundo narra, os moradores de uma das casas causam diversos transtornos na rua.
“Os vizinhos ficam desesperados. Tem música alta, movimentação na madrugada, os moradores se desentendem com os outros residentes e a rotatividade de frequentadores também é constante. Eu venho tentando acionar a polícia pelo 190 e nunca fui atendida. A gente fica sem saber quem procurar ou o que fazer”, confessa.
A Polícia Militar, em todo o país, vem passando por um processo de regionalização dos atendimentos de emergência. Assim, as ligações efetuadas por meio do 190, em diferente cidades, são concentradas em um polo regional. O Centro de Operações da Polícia Militar (COPOM), em Itabira, é onde chegam os contatos telefônicos realizados nos municípios do entorno.
De acordo com informações não oficiais, o COPOM – atualmente – conta com apenas quatro pessoas, sendo que apenas uma delas é responsável por atender às ligações do 190. A redação da DeFato entrou em contato com a Polícia Militar e solicitou informações sobre possíveis problemas nos canais de comunicação. Até o fechamento dessa reportagem, as perguntas não tinham sido respondidas.




