Jovem é morto a facada em Monlevade
Um jovem morreu e outros dois saíram feridos de uma briga generalizada ocorrida após uma festa realizada no Social Clube, em João Monlevade. Segundo informações da Polícia Militar, o crime aconteceu na portaria do clube, do lado de fora, no bairro Vila Tanque, por volta das 5h45 desse domingo, 25. O estudante Márcio Antônio da […]
O estudante Márcio Antônio da Cruz, 19, conhecido como Tico, levou uma facada e foi socorrido ainda com vida, mas morreu após uma cirurgia realizada no Hospital Margarida. Um dos envolvidos, Alisson Henrique Salvino, 18, relatou à PM, que estava em companhia de Márcio Antônio na portaria do clube, quando, próximo a eles iniciou-se uma briga generalizada. Ainda segundo declarações feitas por Alisson, em certo momento ele percebeu que seu amigo havia sido atingido com uma facada no abdômen. A vítima estava caída no chão, com intenso sangramento.
De acordo com informações do Hospital, Márcio chegou a ser operado, mas não resistiu a uma hemorragia. O corpo do jovem foi velado em sua residência, no bairro Vera Cruz e sepultado às 10h de ontem, 26, no cemitério de Carneinhos.
Mais feridos
Outras duas pessoas se feriram durante a briga. O estudante Wagner Soares Costa, 22, foi atingido na cabeça por um instrumento pontiagudo, causando um corte de aproximadamente cinco centímetros. Ele foi atendido no Margarida e liberado em seguida. Wagner alegou aos militares que entrou na briga apenas para separar os envolvidos. O estudante Breno Sales Caldeira, 28, também se feriu, no entanto, não há registro de entrada do mesmo no hospital. Conforme testemunhas relataram à PM, Alisson Henrique é quem teria iniciado a briga e ainda desferido o golpe na cabeça de Wagner. Diante dos fatos, ele recebeu voz de prisão em flagrante delito e foi conduzido à Delegacia de Polícia para prestar esclarecimentos.
O autor do homicídio não foi localizado. Testemunhas apenas afirmaram se tratar de um rapaz que reside no bairro Areia Preta, mas não souberam informar o nome.
A briga
Segundo informações, a confusão começou após um casal de namorados iniciar uma discussão. O fato teria chamado a atenção de dois rapazes que, ao ver a briga, tentaram defender a mulher. Um amigo do namorado da mulher que viu a confusão entrou na confusão na tentativa de separar os envolvidos explicando que se tratava apenas de uma discussão. Nesse momento, outros conhecidos de ambos os lados também se envolveram, formando uma briga generalizada.
Torcida organizada
Relatos dão conta que os envolvidos na briga seriam membros de facções rivais das torcidas organizadas da Máfia Azul (Cruzeiro) e da Galoucura (Atlético).
Em Monlevade, já ocorreram enfrentamentos entre esses grupos rivais sendo o fato mais recente registrado na praça do Lindinho, quando após uma partida entre os times, foi necessária a intervenção da PM para acalmar os ânimos dos torcedores. Ainda segundo informações, o episódio que resultou na morte do jovem Márcio Antônio e ferimentos em outros dois poderia ter relação com esses grupos rivais.
Investigações
A Polícia Civil investiga o caso, contudo, segundo informações do inspetor da 4ª Delegacia Regional de Polícia Civil, Adailton Souza, o inquérito ainda não havia chegado à inspetoria e por esse motivo ele não tinha informações oficiais para repassar à imprensa até a tarde de ontem. O delegado de Crimes Contra a Vida, Adriano Mattos, não atendeu as ligações da reportagem do Bom Dia.
Polícia lamenta ocorrido e desmente versão de jornalista
O comandante da 17ª Companhia Independente da Polícia Militar, major Edvânio Carneiro, reuniu a imprensa na manhã de ontem, 26, para esclarecer algumas informações divulgadas no blog do jornalista Thiago Moreira. De acordo com o comandante, informações contidas na página davam conta que a produção da festa teria pagado a taxa de segurança pública à Polícia Militar, no entanto, os policiais não estiveram presentes durante o evento.
Major Edvânio ressaltou que o pedido foi oficialmente feito pelo produtor da festa, porém, posteriormente, ele chegou a dispensar o policiamento. O Comandante ainda mostrou o documento que prova a dispensa assinada pelo responsável Bruno Moreira Gonçalves. "Não é a primeira festa que vemos ser realizada em Monlevade, sem a preocupação com a segurança. Aconteceu um caso grave e esperamos que isso não se repita. Vou me reunir com as autoridades competentes, poder público, Judiciário, Ministério Público. Vamos ter que tomar uma providência para regulamentar a questão da segurança em festas particulares. É lamentável, não gostaríamos que isso voltasse a acontecer na cidade. Quero deixar bem claro que não estou propondo que as festas acabem em Monlevade, o objetivo é o reforço da segurança", argumentou.
O comandante ainda explicou que é obrigatória a presença da Polícia Militar de forma fixa no local apenas durante eventos destinados à população de forma gratuita. As festas particulares, cujo ingresso é cobrado para a participação, é necessário o recolhimento de uma taxa de segurança pública. A partir do pagamento da mesma, a PM disponibiliza os militares para a efetivação da segurança.
A briga generalizada que acabou com a morte de um dos envolvidos ocorreu do lado externo da área do evento e segundo informações os envolvidos não participaram da festa.
Organização da Festa
Em nota, os organizadores da festa realizada no Social Clube esclareceram que o episódio trágico ocorreu fora da área do evento quando o mesmo já havia acabado.
Segundo um dos organizadores, a festa transcorreu na maior tranqüilidade e em clima de confraternização. Então, às 5h, conforme programado teve seu término e os portões do clube foram fechados.
Ainda de acordo com a produção, a festa contou com toda estrutura de segurança possível, fato que garantiu a tranqüilidade de todos os participantes. Eles informaram ainda que, como de costume, fizeram a comunicação à PM e repassaram todas as informações sobre o evento.
Eles explicaram ainda que a PM não foi acionada para atuar no evento porque a festa foi de menor proporção e que para a participação da PM, seria preciso haver um recolhimento de taxa segurança, já que se tratava de um evento particular. Segundo os promotores da festa, a PM só é acionada quando a promoção é de maior envergadura.