Kaio Jorge é advertido pelo STJD e pode jogar o clássico decisivo entre Atlético e Cruzeiro pela Copa do Brasil

Atacante foi julgado pela falta que derrubou Ruan Tressoldi no jogo de ida das quartas de final; maioria dos auditores converteu suspensão em advertência

Kaio Jorge é advertido pelo STJD e pode jogar o clássico decisivo entre Atlético e Cruzeiro pela Copa do Brasil
Lance que originou o julgamento de Kaio Jorge aconteceu na partida de ida pela quartas de final da Copa do Brasil – Foto: Reprodução

Kaio Jorge poderá defender o Cruzeiro no clássico decisivo contra o Atlético pela Copa do Brasil. O atacante foi julgado nesta segunda-feira (31), pela 5ª Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), em razão da falta cometida sobre o zagueiro Ruan Tressoldi no primeiro jogo das quartas de final.

A comissão considerou que o cruzeirense deveria receber a pena mínima prevista para o caso, de um jogo de suspensão. A punição, porém, foi convertida em advertência pela maioria dos auditores. Com isso, Kaio Jorge mantém condição legal para atuar na partida desta terça-feira (1º), às 21h, na Arena MRV, em Belo Horizonte.

O relator Ramon Rocha Santos entendeu que houve uma ação temerária e imprudente na disputa pelo alto, mas considerou que a conduta deveria receber a penalidade mínima: “A denúncia imputa ao atleta Kaio Jorge a prática de jogada violenta decorrente do lance. As imagens são fortes e as consequências poderiam ser piores, mas me parece que não estamos aqui a punir as consequências de uma determinada conduta”.

Na sequência, o relator afirmou: “O referido atleta disputa a bola de uma maneira nitidamente temerária e imprudente. A análise do lance mostra, na minha ótica, uma força desnecessária. O movimento corporal desequilibra o adversário”.

O voto de Ramon foi acompanhado por Renata Baldez Mendonça, Raoni Lacerda Vita e Paulo Ronaldo de Carvalho, presidente da comissão. Apenas Gustavo Lisboa votou por uma punição mais severa, de três partidas de suspensão.

Lance provocou saída de Ruan Tressoldi de ambulância

A jogada ocorreu logo no início do confronto de ida, disputado no Mineirão. Ruan Tressoldi subiu para disputar uma bola pelo alto e acabou deslocado por Kaio Jorge. O defensor perdeu o equilíbrio e caiu com o pescoço e a cabeça contra o gramado. O árbitro marcou a falta, mas não aplicou cartão ao atacante. O VAR também não recomendou uma revisão do lance.

Ruan precisou deixar a partida e foi encaminhado de ambulância a um hospital. Exames não apontaram lesão, e o Atlético informou posteriormente que o jogador recebeu alta. O zagueiro também entrou no protocolo de concussão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Durante o julgamento, o médico do Atlético, Haroldo Christo Aleixo, foi ouvido como testemunha da Procuradoria. Ele destacou o risco de consequências graves diante da forma como o defensor caiu.

“Sim [correu risco de lesão grave], porque ele perdeu a sustentação e o equilíbrio, perdendo o controle postural. Se observarem o vídeo, ele não tinha nenhum mecanismo de defesa, caiu sem proteção. Não teve condição sequer de estender o braço para diminuir o impacto da queda, que ficou por completo sobre o pescoço e a cabeça. É uma situação muito grave”.

Defesa do Cruzeiro classificou lance como falta de jogo

O advogado Michel Assef Filho sustentou que a análise deveria se concentrar na ação de Kaio Jorge, e não nas consequências da queda de Ruan. A defesa apresentou aos auditores outros lances considerados semelhantes, nos quais não houve punição:

“Por mais que tenha tido uma estética ruim, não há porque ter julgamento. A prova juntada aos autos mostra que não houve consequências, o atleta inclusive deve jogar o próximo jogo”.

Assef também argumentou que movimentos semelhantes fazem parte das disputas durante as partidas: “Isso é uma falta de jogo, que acontece em todos os jogos, então pouco importa a jogada. Os árbitros têm absoluta experiência, todos viram o lance. O VAR não chamou. Todos viram e marcaram daquela forma: uma falta. Se esse caso for colocado para frente com qualquer punição, a justiça desportiva vai sofrer uma enxurrada de notícias de infração”.

Atlético pediu punição mais severa

O Atlético foi representado por Rafael Lewandowski Libertuci, gerente jurídico desportivo do clube. Durante a sessão, ele contestou a comparação feita pela defesa cruzeirense com outros lances e classificou a ação de Kaio Jorge como deliberada:

“Precisamos falar sobre a diferença entre os lances mostrados pelo Cruzeiro. O que o Kaio Jorge fez não foi uma cama de gato, foi uma agressão deliberada. Ele olha o jogador e dá uma ombrada. Não é uma cama de gato, é uma tentativa de homicídio”.

A Procuradoria do STJD, representada pelo procurador Caio Porto Ferreira, também defendeu uma punição com caráter pedagógico. A denúncia contra Kaio Jorge foi apresentada com base no artigo 254 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD).

O dispositivo trata de ações com emprego de força incompatível com o padrão esperado da modalidade e de condutas temerárias ou imprudentes durante a disputa de uma jogada.

Clássico vale vaga na semifinal

Com a decisão do STJD, Kaio Jorge está disponível para o segundo confronto entre Atlético e Cruzeiro pelas quartas de final da Copa do Brasil. Os rivais empataram por 1 a 1 no jogo de ida, no Mineirão, em Belo Horizonte.

A partida decisiva será nesta terça-feira, na Arena MRV. O vencedor do confronto avançará às semifinais e receberá R$ 4 milhões em premiação da CBF. Quem avançar enfrentará o vencedor do duelo entre Internacional e Grêmio.