Laudo diz que homem matou mãe decapitada achando que ela era robô em BH
Exame de sanidade mental concluiu que investigado não compreendia o caráter criminoso dos atos e recomendou internação psiquiátrica

A perícia de sanidade mental da Polícia Civil concluiu que o homem de 27 anos acusado de matar a própria mãe, Jussara Maria Rodrigues, de 54 anos, no bairro Nova Cachoeirinha, em Belo Horizonte, era incapaz de entender o caráter criminoso dos atos. O laudo aponta quadro psicótico e recomenda tratamento em regime de internação psiquiátrica.
O exame foi realizado em 29 de junho por dois médicos-legistas psiquiatras do Instituto Médico-Legal, após determinação da Justiça. A conclusão dos peritos é que o transtorno mental suprimiu a capacidade de entendimento e de autodeterminação do investigado no momento do crime.
Durante a avaliação, o homem afirmou aos peritos que acreditava que a mãe não era uma pessoa real. Segundo o laudo, ele disse que agiu para verificar se ela era humana ou uma máquina. A declaração foi registrada como parte de um conjunto de relatos compatíveis com pensamento delirante.
Os médicos também identificaram conteúdo místico e persecutório, alteração do juízo crítico da realidade, comprometimento da vontade e sinais de alucinações. O laudo não apontou dependência de álcool ou drogas, mas classificou o investigado como pessoa de alta periculosidade devido à imprevisibilidade associada ao quadro psiquiátrico.
O homem relatou aos peritos que havia recebido diagnóstico de esquizofrenia em Portugal, após uma internação em 2020. Ele disse que permaneceu em tratamento psiquiátrico até março de 2025, quando voltou ao Brasil e interrompeu o acompanhamento médico.
O caso aconteceu em 22 de junho, quando o corpo de Jussara foi encontrado no bairro Nova Cachoeirinha, na Região Noroeste da capital. O investigado passou por exame de sanidade mental depois que a defesa e a Justiça levantaram a necessidade de avaliar sua condição psiquiátrica.
A conclusão pela incapacidade mental não encerra o processo criminal. O laudo foi encaminhado ao Tribunal do Júri e será analisado pela Justiça, que poderá decidir sobre a aplicação de medida de segurança, como internação psiquiátrica, em vez de pena comum.