Lula contraria agenda e vai a gravações eleitorais

Apesar da agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva informar que ele estaria em despachos internos, no Palácio da Alvorada, mais uma vez o presidente está dedicando a sexta-feira a gravações para o programa da candidata à Presidência, Dilma Rousseff (PT). Lula deixou o Alvorada por volta das 9h40, mas a bandeira que indica […]

Apesar da agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva informar que ele estaria em despachos internos, no Palácio da Alvorada, mais uma vez o presidente está dedicando a sexta-feira a gravações para o programa da candidata à Presidência, Dilma Rousseff (PT). Lula deixou o Alvorada por volta das 9h40, mas a bandeira que indica a sua presença na residência oficial permanece hasteada, em um indicativo de que ele estaria no Palácio.

Lula se encontra em um dos estúdios que atende à candidata Dilma Rousseff, no final da Asa Sul – região central de Brasília. Dilma, no entanto, não se encontra no local.O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins, José Eduardo Dutra, o deputado José Eduardo Cardozo (SP) e o deputado Antonio Palocci (SP) acompanham o presidente.

Após o término do encontro, os três coordenadores da campanha de Dilma saíram do local e o presidente Lula permaneceu, fazendo gravações para a candidata. Ao deixar o prédio do estúdio, Dutra afirmou que o presidente Lula não vai responder ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.presidente nas gravações.

Tensão

Com a organização de campanha em desacordo, pressão crescente de aliados por poder de decisão e diante de pesquisas desfavoráveis, o presidente Lula decidiu tomar parte das rédeas da corrida presidencial petista para evitar um naufrágio. O movimento, que teve contrapartida imediata no PSDB, com forte discurso do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na noite de dessa quinta-feira, foi decidido diante da fragilização dos principais articuladores do PT na condução da candidatura de Dilma. A aliança governista não se entende nem sobre a melhor estratégia para estancar a sangria de votos, especialmente frente ao eleitorado religioso.

Frente à falta de um discurso unificado, Lula traçou o que deve ser a linha de defesa da presidenciável: acusou a oposição de repetir a estratégia de plantar uma onda de boatos infundados, que já teria sido utilizada contra ele em eleições passadas. A 77 dias de concluir sua passagem pelo Planalto, Lula pediu que a população não conduza o país ao retrocesso. "O povo é dono do país. E não pode permitir que voltemos ao passado do desespero, do desemprego, do descaso. Cansamos de sermos tratados como vira-latas", disse.