Lula define nesta terça reajuste de aposentados
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem nesta terça-feira uma última reunião com os ministros da área econômica do governo antes de anunciar a decisão sobre o reajuste de 7,72% e o fim do fator previdenciário para os aposentados brasileiros (no caso do reajuste, é apenas para quem ganha acima de um salário […]
Durante as negociações na Câmara e Senado, o governo chegou a aceitar que o reajuste, inicialmente de 6,14% passasse para 7%. Agora estuda um meio jurídico para garantir o aumento de 6,14% dos benefícios, possivelmente através de abono autorizado em medida provisória, segundo já adiantou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Na contramão, o ministro da Previdência, Carlos Eduardo Gabas, admitiu segunda-feira que o presidente poderá, sim, sancionar o reajuste de 7,7% para os aposentados. "O dilema do presidente hoje é se sanciona ou edita outra MP. E outra MP significa que o mesmo Congresso que aprovou os 7,7% vai avaliar (novamente a questão)", frisou Gabas, que não quis revelar que sugestão fará nesta terça a Lula. "Está na pasta, amanhã (hoje) vocês vão saber", acrescentou.
Na prática, o presidente não precisaria anunciar nesta terça-feira o possível veto ao reajuste maior para os aposentados, justamente no dia da estréia do Brasil na Copa do Mundo da África do Sul. Ele tem até a quinta-feira para vetar ou sancionar o índice para os aposentados brasileiros que ganham acima do salário mínimo (R$ 510). Neste dia, vence o prazo regimental de 15 dias úteis previsto para sanção ou veto presidencial, que começou a contar a partir da data em que o novo reajuste saiu do Congresso para ser submetido à apreciação do Executivo.
Derrubar o veto
As entidades de defesa dos aposentados já contam com a possibilidade de que Lula poderá vetar nesta terça-feira o reajuste de 7,72%, tanto que articulam movimentação para quarta-feira mesmo, em Brasília, para tentar derrubar o possível veto presidencial. “Vamos aguardar até amanhã (hoje) para ver o que o Lula vai fazer. Mas já programamos um grande ato dos aposentados na Câmara, na quarta-feira, para tentar derrubar o veto”, afirma Warley Martins, presidente da Confederação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas (Cobap). Ele revela ainda que já agendou reunião, no mesmo dia, com o senador Paulo Paim (PT) na parte da manhã e, na parte da tarde com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB).
“Derrubar veto é muito difícil, mas não é impossível”, garante Martins. Para derrubar um veto presidencial, são necessários os votos da maioria absoluta (50% mais um voto) dos membros da Câmara e do Senado, ou seja, 257 deputados federais e 41 senadores.
A última vez que os parlamentares conseguiram derrubar um veto presidencial durante o governo Lula foi em agosto de 2005. Assim mesmo, tratava-se de assunto do interesse direto dos deputados e senadores: o reajuste de 15% nos salários dos servidores da Câmara e do Senado.