Mais de 2 mil famílias vivem em situação de déficit habitacional em Itabira 

O levantamento considera pessoas em situação de pobreza e baixa renda e divide o déficit habitacional em duas categorias: quantitativo, relacionado à necessidade de uma nova moradia, e qualitativo, referente a imóveis que apresentam condições inadequadas de habitação

Mais de 2 mil famílias vivem em situação de déficit habitacional em Itabira 
Foto: Reprodução/Prefeitura de Itabira – YouTube
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Itabira tem 2.113 famílias em situação de déficit habitacional quantitativo, segundo diagnóstico realizado pela Prefeitura com famílias inscritas no Cadastro Único. O dado foi apresentado pela secretária municipal de Assistência Social, Nélia Cunha, durante audiência pública realizada na terça-feira (11), na Câmara Municipal, com o tema “Campanha da Fraternidade 2026 – Fraternidade e Moradia”, iniciativa da Diocese de Itabira – Regional I.

O levantamento considera pessoas em situação de pobreza e baixa renda e divide o déficit habitacional em duas categorias: quantitativo, relacionado à necessidade de uma nova moradia, e qualitativo, referente a imóveis que apresentam condições inadequadas de habitação.

Dentro do déficit quantitativo, a maior parcela é formada por famílias que comprometem uma parcela significativa da renda com o aluguel. Segundo Nélia, são 1.800 famílias que destinam até 30% da renda ao pagamento da moradia. O diagnóstico também identificou 146 famílias vivendo em situação de adensamento excessivo, quando muitas pessoas ocupam o mesmo imóvel.

Outras 53 famílias vivem em domicílios considerados rústicos, construídos total ou parcialmente com materiais inadequados, enquanto 51 famílias estão em situação de coabitação, compartilhando a residência com outros núcleos familiares. No total, o déficit habitacional quantitativo identificado pelo diagnóstico chega a 2.113 pessoas.

Já o chamado déficit habitacional qualitativo reúne 270 domicílios que possuem algum tipo de inadequação. Entre os problemas identificados estão questões relacionadas ao abastecimento de água, esgotamento sanitário, destinação do lixo e existência de banheiro. “Esse momento é importante a gente aproveitar essa audiência para colocar esse número, para que vocês tenham conhecimento, tenham ciência e compreendam a extensão dessa política habitacional”, afirmou Nélia Cunha.

 

A secretária destacou que a política habitacional está diretamente relacionada a outras áreas de atuação do poder público, como geração de emprego e renda e programas de transferência de renda. Segundo os dados apresentados, 4.441 famílias recebem o Bolsa Família em Itabira, enquanto 1.397 pessoas recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Somados, os programas representam aproximadamente R$ 5,2 milhões em recursos movimentados no município. 

Nélia também citou dados de um levantamento referente ao último triênio. Das 3.917 famílias acompanhadas, 1.088 — cerca de 27% — teriam superado a situação de pobreza e deixado de depender de programas de transferência de renda. Para a secretária, a superação da vulnerabilidade econômica também pode contribuir para que as famílias tenham condições de melhorar suas próprias moradias.

Durante a audiência, Nélia também apresentou um histórico das medidas adotadas pela atual administração para estruturar a política habitacional de Itabira. Segundo ela, quando a atual gestão assumiu, entre 2021 e 2022, o Conselho Municipal de Habitação estava desativado. O órgão foi reativado posteriormente. Já o Fundo Municipal de Habitação, de acordo com a secretária, não possuía regulamentação e teve sua legislação estabelecida em 2024.

Nélia afirmou ainda que o município passou por um processo de regularização no sistema nacional relacionado à habitação de interesse social, o que permitiu a Itabira voltar a ficar apta a captar recursos federais para a área. A Prefeitura também retomou o trabalho técnico-social com moradores dos condomínios Barreiro, Fênix e Abóboras, construídos no âmbito da última etapa do Minha Casa, Minha Vida. O acompanhamento havia sido interrompido e foi posteriormente reestruturado.

Outra política citada foi o PROBOM, programa de aluguel social que, segundo Nélia, possui mais de 100 vagas. O benefício atende públicos como pessoas em situação de rua, mulheres vítimas de violência com medidas protetivas e famílias atingidas por situações de calamidade. A secretária também informou que o programa Morar Sem Risco, voltado a pequenas reformas em habitações que apresentam risco social, está passando por uma reformulação em conjunto com as secretarias de Desenvolvimento Urbano e Obras e a Defesa Civil.

Em tempo: O diagnóstico habitacional ganha relevância diante dos projetos em andamento para ampliar a oferta de moradias populares na cidade. Na última semana, Nélia havia informado à DeFato que a Prefeitura de Itabira pretende retomar, após o período eleitoral, o processo para contratação de uma empresa responsável pela construção de 80 unidades habitacionais pelo Minha Casa, Minha Vida.

A primeira licitação terminou sem propostas de empresas interessadas, após permanecer aberta por 45 dias. O empreendimento prevê moradias nos conjuntos Pedras do Valle I, Pedras do Valle II e Fazenda do Lago.

A construção depende da participação de uma empresa privada, já que o município disponibilizou os terrenos e obteve a aprovação da Caixa Econômica Federal para o empreendimento. A expectativa da Prefeitura é realizar um novo processo quando houver nova oportunidade de adesão ao programa federal.